Balenciaga, obra em preto

24 de Abril de 2017

A história do preto nas criações de Cristóbal Balenciaga é a homenagem que o Museu Bourdelle, em Paris, rende ao costureiro espanhol até 16 de Julho. “Assim como o branco, o preto não é no sentido estrito do termo, uma cor, no entanto, está associado de um ponto de vista psicológico a uma cor simbólica,” segundo o dicionário das Cores. Com essa definição em mente fica mais fácil entender a escolha do titulo dessa exposição, “Balenciaga, obra em preto” que dá eco a cor preta e ao diálogo estabelecido entre o escultor Émile-Antoine Bourdelle (1861-1929) e o estilista Cristóbal Balenciaga (1895-1972). Organizada pelo Galliera, Museu da Moda da Cidade de Paris, a cenografia da exposição transpõe as criações do atelier para as salas do escultor criando uma dinâmica de movimento, luz, velocidade e elegância entre roupas e esculturas.

A paixão de Balenciaga pela cor preta tem raízes no folclore tradicional espanhol e os curadores se apropriaram desse conceito para analisar mais de cem peças do no alquimista da costura e constatar que seu estlo é imprenado da cultura popular e religiosa espanhola. Casacos, boleros, jaquetas, vestidos de coquetel, acessórios, entre outros, aparecem dispostos ao lado de desenhos preparatórios com abordagens temáticas como “Figura e volumes”, “Luz negra”, “Pretos e cores”.

Através de uma seleção sofisticada de peças de vestuário, os visitantes descobrem com deslumbramento o talento e o uso criativo de rendas, bordados, mantilhas, fitas de cetim, lantejoulas, veludos de seda e muitas outras criações únicas que transcendem o tempo. Tudo na cor preta. Uma verdadeira imersão com ares de grande arte no universo monástico do estilista, confirmando o que Christian Dior dizia sobre Balenciaga: “a roupa era sua religião”.

TEXTO – Chantal Manoncourt

IMAGEM – Cenografia Museu Bourdelle © Pierre Antoine

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