“Bleu d’Argile”

6 de Maio de 2016

Photos Christian Nouzillet

Ao assumir um antigo atelier de cerâmica no sul da França, Fabienne Tassi esculpiu seu sonho e alinhou o seu destino compartilhando suas ideias para desenvolver peças feitas à mão para a arte da mesa com a ajuda dos artesãos locais. Correspondane Magazine® viajou até a Côte d’Azur para entrevistar essa empreendedora que tem como sonho perpetuar o savoir-faire da cidade de Vallauris desenhando suas coleções de cerâmica de maneira artesanal.

Conte-nos como tudo começou…

– Aos quarenta anos, disse para mim mesma: tenho prazer em criar mas apenas como passatempo, como posso combinar esse talento com meus contatos, que é minha outra paixão? Então decidi usar minhas habilidades de negócios para desenvolver um projeto que reúne minhas aspirações e meus valores e assumi uma indústria com tradição cerâmica, baseada na cidade de Vallauris, que tinha um rico know-how e artesãos talentosos, que dominavam a arte de esculpir a argila. Meu objetivo era atualizar essas coleções antigas, como um trabalho de tirar o “pó”, para encontrar a essência do bom gosto à francesa e criar objetos com formas simples, inteiramente feitos à mão. Nesse sentido, a equipe de ceramistas, com sua enorme capacidade criativa, me ensinou tudo o que precisava saber para desenvolver essa paixão que é a Bleu d’Argile.

O que inspira você?

– Minha inspiração encontra-se no que vejo e na vivência de todos os dias mas também na procura de nossas raízes, do nosso patrimônio artístico local. Recuperando em ateliês que fechavam modelos antigos, muitas vezes considerados obsoletos, para dar-lhes uma segunda vida, reinterpretando-os de acordo com o estilo atual.

O que a motivou a criar cerâmica?

– Penso que essa motivação foi semeada desde cedo. Quando criança, vivia em Nice, à 15 minutos de Vallauris e, muitas vezes com meus pais, visitei a cidade dos 200 ceramistas. A profusão de modelos um tanto kitsch produzidos na época, alimentava minha imaginação, e sentia interiormente que com a argila as possibilidades de criação eram infinitas.

Quais os adjetivos que melhor descrevem seu trabalho?

– Gosto da ideia de uma obra construída. Cada parte de nossas peças possui uma forma e proporções delicadas, onde o resultado parece espontâneo e vivo, mas existe uma técnica por trás de todo esse processo.

Como você escolhe o modelo das suas coleções?

– Não existe uma regra. Mas alguns modelos são essenciais e fazem parte da herança da arte da mesa francesa e, para Bleu d’Argile, é um ponto de honra fazê-los viver na modernidade. Outras criações nascem de um desejo, um desenho rabiscado às pressas, que meu mestre-ceramista formata imediatamente, de modo que o processo possa começar com o trabalho em equipe, as confrontações com o material e a forma, as mudanças que devem ser efetuadas e as diferentes versões que nos levam à escolha final. O que aprecio na arte cerâmica é o imediatismo que pode-se ter para moldar uma ideia. Fico sempre ansiosa para saber se um pressentimento que tive é uma boa pista ou não para se  desenvolver uma peça.

Quem dita o ritmo do seu trabalho: a razão ou a intuição?

– Digamos que a minha intuição me guia e que as tendências se impregnam do meu espírito e, em seguida, compartilho minhas impressões com a equipe. Por exemplo, os 14 tons que desenvolvemos são inspirados na art déco mas, ao mesmo tempo, a pureza dessa palheta de cores libera as novas coleções desse estilo carregado. Sem essa característica em especial seria difícil harmonizar essas peças com uma decoração interior moderna.

Quais personalidades do mundo da decoração ou do design a inspiram?

– Admiro a carreira de Andrée Putman, que exala uma elegância-chique e a liberdade que ela tinha para criar sinergia entre projetos diferentes. Tento, como ela, ter uma mente aberta para outros universos, inventando uma nova maneira de receber em torno da mesa.

Como você se define: decoradora, artista, designer de interiores ou ceramista?

– Para mim, nestes últimos anos, o trabalho de decorador e designer de interiores se aproximou bastante. Nos dias atuais é impossível “decorar” uma casa sem levar em conta as pessoas que nela habitam. É como se o espaço e a luminosiade definissem os tons da tela para que o artista-decorador distribua suas tonalidades, do mobiliário aos objetos, obedecendo uma construção criativa. Enquanto o ceramista, à serviço destes artistas, oferece objetos inspirados nesse ambiente e coloca toda a sua sensibilidade à serviço do decorador para que este possa interpretá-los e agregá-los ao projeto como se estas peças sempre tivessem estado lá.

Quais são seus próximos projetos?

– Em primeiro lugar, continuar a disseminar a nossa cerâmica e nos desenvolvermos comercialmente em países estrangeiros. Paralelamente, gostaria de alargar nossa gama de produtos, visando outras possibilidades decorativas, de tecidos à pequenos objetos, a fim de oferecer aos nossos clientes um universo Bleu d’Argile. Mas ainda é cedo para falar sobre esse projeto, no entanto, já estamos fazendo algumas pesquisas…

www.bleudargile.fr

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