Daniel & Michel Bismut

6 de Outubro de 2015

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Para festejar mais uma primavera, AD Intérieurs convidou 15 decoradores, designers e criadores para montar cenários que reflitam os modernos modos de vida. Do escritório à cozinha, passando pela sala, todos se impregnaram de suas referências estéticas para criar uma cenografia rica e imaginativa colocando em evidência a decoração de interiores do futuro. A apresentação desses projetos no Palácio de Iéna, sede do Conselho Econômico, Social e Ambiental, mostrou vários cenários criativos em harmonia com essa temática atual. Correspondance Magazine® entrevistou com exclusividade Isabelle Stanislas, Bismut & Bismut, Dimore Studio, Damien Langlois-Meurinne, Thierry Lemaire, Patrick Norguet, Oitoemponto, Daniel Suduca e Thierry Mérillou para conhecer em detalhes suas histórias, aspirações, novos projetos e muito mais… Boa inspiração!

Fale-nos um pouco da trajetória de vocês…

– Nosso pai era escultor e exerceu uma grande influência em nossa vida. Ainda jovem, ele veio a Paris para fazer os cursos de Belas Artes e participou de várias feiras e exposições. De retorno à Tunísia, ele se concentrou no gesso e no estuque e entre os anos 50-70 anos, participou de grandes projetos em toda a Tunísia, entre eles, o palácio presidencial em Carthage. Ele teve uma grande influência em nossa jornada. Nossa paixão pela arquitetura e artes plásticas vem dessa herança de familiar. Nosso primeiro projeto foi a sede em Paris de uma grande empresa de eletrônicos, seguido rapidamente da boutique de calçados Charles Kammer em Nova York e a construção de uma grande casa perto de Paris.

Quais suas fontes de inspiração?

– Nossas influências são uma mistura de poesia e sensibilidade, de Carlo Scarpa à Louis Kahn mestres do “menos é mais”, do arquiteto Mies van der Rohe, à força de uma escultura de Eduardo Chillida ou de um Richard Serra, à riqueza da arquitetura de Alhambra ou alguns palácios da Europa. As fontes de influências que utilizamos são totalmente transversais e pode vir da luminosidade de uma foto de Sugimoto, do movimento à óleo de Francis Bacon ou um detalhe da pintura de Klimt pode desencadear uma história com uma ideia forte.

Quais as palavras que melhor definem o trabalho de vocês?

– Estamos sempre à procura de um equilíbrio com o desejo de não sermos catalogados com termos de moda. Gostamos de simplificar o vocabulário arquitetônico para manter apenas o essencial. Não desejamos buscar a perfeição através de jogos formais de massas mas através de conjugações sutis onde proporções, volumes, materiais, luz e movimento se fazem presente.

Como vocês escolhem os materiais com os quais irão trabalhar?

– Nós apreciamos as experimentações e estamos sempre à procura de novos materiais e tecnologias para propor novas ideias. Como quando criamos a lareira origami, concebida especialmente para a exposição no Museu de Artes Decorativas, em novembro de 2014,  ou ainda para a edição deste ano da AD Intérieurs onde fizemos uma pesquisa sobre sobreposições.

Vocês trabalham sob o ritmo das tendências ou seguem uma “dupla” intuição?

– A fronteira entre arquitetura e decoração tal qual apreendemos é bastante porosa mas não fazemos decoração e o princípio “tendência” é estranho para nós. Nunca nos colocamos sob essa luz. No mais, todas as épocas foram revisitadas e a tendência atual prega a miscigenação e a mistura do “best of” de todos esses períodos.

Existem personalidades do mundo da decoração, do design ou outra área que os inspiram?

– Muitos escultores, artistas e estilistas nos inspiram e estamos sempre muito atentos às atualidades em geral e da arte, em particular. Nós viajamos muito e gostamos de mergulhar em todas as culturas. Com uma mãe italiana, pai tunisiano e uma avó francesa, nosso DNA é multicultural e isso faz a diferença do nosso trabalho.

Como vocês se definem: designers de interiores, decoradores ou criativos?

– Nosso campo de intervenção é realmente transversal e estamos interessados tanto no projeto de arquitetura quanto na identidade visual mas somos principalmente arquitetos.

Quais são os novos projetos?

– Atualmente os nossos projetos estão localizados em Paris mas também em Los Angeles, Bombay, Genebra, Riyadh e até mesmo no Congo, isto é, nos vários cantos do mundo com culturas muito diferentes. Apesar disso, a demanda tende a se tornar uniforme, como se a terra tivesse encolhido, o que é muito lamentável. Às vezes há locais onde os projetos hoteleiros, por exemplo, não têm nada a ver com as especificidades da arquitetura e do artesanato locais.

Com o que vocês sonham?

– Nós já estamos no meio dele! Estamos concebendo o design de interiores de nosso primeiro iate com o estaleiro SanLorenzo na Itália. Todavia, desenvolver projetos com clientes apaixonados, por exemplo, na Inglaterra ou na América do Sul, onde há uma dinâmica real e não há barreiras criativas, seria uma perspectiva excitante!

www.bismut.com

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