Decoração dramática

19 de Novembro de 2018

O segredo de Sara Ruffin Costello, designer de interiores, para a construção de uma decoração dramática, não é preencher todos os recantos de uma casa antiga com coisas novas, isso não é novidade, nem tampouco combinar peças tradicionais e modernas, “todo mundo faz isso atualmente”, afirma categoricamente Sara Costello. Mas a casa dela tem algo a mais: um senso de drama, que ela realiza de forma deliberada, quase provocativa, combinando cores e formas de alto contraste em todos os cômodos. “Tudo se resume a tensão, o que acho excitante. O tema da luz e sombras, do velho e do novo, do curvilíneo e do reto, está estabelecido na porta da frente e passa por toda a casa.”

Uma decoração dramática e apetite de Sara por estlos diferente nunca esteveram em dúvida, mas sua capacidade a se engajar recebeu um grande impulso três anos atrás, quando ela, seu marido e seus três filhos se mudaram dos limites relativamente apertados de um apartamento em Manhattan para uma grande uma casa gótica italiana, em Nova Orleans, que pertenceu a um magnata da estrada de ferroa decoração da casa diz muito sobre a personalidade inteligente, intuitiva e criativa de Sara, que se autoriza a ter uma mesa de pingue-pongue na sala de jantar. A residência que data dos idos de 1868 tem uma espécie de fluxo formal, com o hall central e salas volumosas de cada lado e esta grande escadaria que, apesar de impressionante, não é tão tradicional quanto parece.

O impulso inicial de Sara era fazer grandes mudanças estruturais, mas o arquiteto Michael Carbine interveio. Abrimos a cozinha para o jardim e colocamos uma grande porta de garagem lá dentro, e ele me convenceu disso, o que foi realmente sábio. Carbine realmente entende de detalhes históricos, e isso é muito importante nessa região. Ele disse: “Você tem muitas coisas modernas, apenas deixe a casa ser velha”, então mantivemos exatamente a mesma estrutura.”

A casa de Sara não apenas parece especial, mas também funciona muito bem porque foi decorada para atender às suas necessidades, como mãe e anfitriã. “Tenho filhos e gosto de organizar pequenas recepções, esses são os dois itens que indicam muitas das soluções decorativas da casa. Queria misturar, em vez de separar essas duas ideias,” conta. Isso significa que cada espaço da casa funciona como ponto de encontro para a família e para os convidados. Esta atitude flexível contribui para bons momentos para todos. Jogar pingue-pongue na sala de jantar ao lado de um sofá de chita e antigas cadeiras laterais francesas e, na hora da festa, a mesa de pingue-pongue pode ser removida, abrindo espaço para uma pista de dança ou para disposição de mesas para o jantar.

Na sala de estar, dominada por branco, preto e madeira, um suporte de madeira marrom, que antes ocupava a casa de seus pais na Virgínia, compartilha o espaço com uma mesa branca ocasional contemporânea. As tradicionais poltronas sentam-se em frente a um moderno seccional, essas peças contrastantes “parecem estar olhando para o outro o dia todo, e isso cria um pouco de aconchego e calorosidade no ambiente.” Outro segredo de Sara para a construção de drama, é fazer uma mistura de velho e novo, que pode ser um desafio. A chave, diz Sara, é “construir uma ponte para a harmonia através da paleta e da forma” e esse conceito fica visível na sala de estar, onde ambos os aspectos entram em ação: as partes díspares são unidas por uma paleta limitada de branco, preto e madeira. Em termos de forma, Sara presta muita atenção à linha, como uma peça é moldada, e como ela será combinada com seus vizinhos. “No final, tudo é sobre geometria, como a curva de uma peça irá interagir com a linha de outra. Prefiro principalmente bordas retas em vez de curvas, e isso vale para qualquer estilo e qualquer século.”


Além de escrever “American Master”, livro sobre o renomado designer Jeffrey Bilhuber, publicado pela Rizzoli, Sara atualmente mantem-se ocupada decorando casas para clientes em Los Angeles e Nova York. Seu objetivo, tanto para a casa de seus clientes quanto para a dela, é “construir espaços com alma” e reconhece que esse é um objetivo elevado e um tanto amorfo, mas também muito simples: um lar deve ter um espírito. “Não é ótimo quando você visita uma casa, vê como alguém vive, que livros lê e você fica morrendo de vontade de conhecer a pessoa que a habita?”

Em um nível prático, isso significa usar peças que tenham valor sentimental e pessoal ou tragam seu próprio senso de história para a decoração de interiores. “Dou preferência a algo que pareça um pouco usado, nada muito novo ou brilhante, por favor. Gosto de coisas que fazem você querer saber seus segredos, se elas pudessem conversar. Gosto quando os objetos se comunicam entre o presente e o futuro, mas prefiro que nada pareça ter sido instalado nesta manhã,” segreda. Sua casa está cheia de móveis herdados de seus pais e coletados ao longo dos anos, pouco a pouco, cada peça tem um lembrete de um momento específico. Por exemplo, o busto de chapéu na sala de estar foi uma das primeiras coisas que ela e seu marido Paul compraram juntos…

   TRADUÇÃO & EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

REPORTAGEM – Deb Schwartz

IMAGEM © Nicole LaMotte

 

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