Dior e seus decoradores

19 de Novembro de 2018

“Uma sala sem ornamentos pessoais é como uma mulher bonita que não tem charme”, dizia Christian Dior. Baseado nessa argumento, a escritora e historiadora americana Maureen Footer lançou o livro “Dior e seus decoradores”, publicado pela editora Citadelles & Mazenod, que decreve os processos inventivos da criação de imagem do universo da casa de alta costura Dior.  A publicação aborda, entre outros temas, o talento e a perspicácia de dois homens, Victor Grandpierre e Georges Geffroy, em parceria com o próprio Christian Dior, nesse empreendimento reputado mundialmente. Influenciados pela arte do teatro e da moda, estes mestres do estilo propõem uma decoração suntuosa, personalizada e funcional respondendo aos requisitos da época. Graças ao seu precioso conhecimento das tradições francesas, essas três grandes figuras marcaram o destino da alta costura e da decoração de interiores.

A impecável casa de alta costura da Dior, em 1947, era iluminada em tons de cinza e branco, uma ousadia para a época, como uma lufada de ar fresco e sofisticação. Uma das marcas de identidade do trabalho de Grandpierre, que ousou construir sobre o ideal modernista, consistia em acrescentar elementos dos grandes períodos franceses, misturando cadeiras, painéis, pisos de calcário e antiguidades, Grandpierre exibia-os num contexto propício para que a simplicidade reinasse. “Embora empregando objetos antigos, Grandpierre usava-os de uma maneira original e sobressalente com o intuito de criar interiores que pareciam espetacularmente inovadores e diferentes”, atesta a escritora. O fenômeno Dior com seus salões em cinza e branco, que surpreendiam as clientes pela sua modernidade e elegância, porque se baseava em dar ênfase ao conforto. O estilo e a linha mestra decorativa de Grandpierre, mesmo nos dias atuais, nunca foi comprometido, e criou precentes para as demais casas de alta costura.

O trabalho de Grandpierre e Geffroy “capturou o momento e, de certa forma, previu o futuro”, atesta a escritora Maureen Footer. Essas figuras icônicas no mundo da moda e da decoração de interiores, mudaram alguns conceitos pré-estabelecidos, valendo-se de uma visão independente e contrariaram as noções predominantes do bom gosto, da codificação decorativa, adaptando o “new look” ao seu momento, o do pós-guerra. Grandpierre e Geffroy foram os pioneiros em lançar por terra as tradições em voga, assumindo uma ideia radical e totalmente inovadora sobre a arte decorativa, onde espaços pessoais poderiam ser confortáveis, práticos ​​e ecléticos sem, contudo, sacrificar o pelo visual e estético de outras épocas.

No período do pós-guerra, quando o mundo atravessava mudanças importantes em todos os níveis históricos, sociais e econômicos, as tradições em todos os setores, inclusive na decoração, foram sendo abandonadas gradativamente. Geffroy e Grandpierre foram ousados o suficiente para redecorar salões que poderiam abrigar, magistralmente, artefatos de todos os recantos do mundo. Um tapete finlandês poderia se harmonizar perfeitamente com móveis franceses de época e assim por diante. Essa mesma tendência também influenciou a moda, quando Dior desenhou um vestido que imitava a sinuosasidade de um sari. O resultado desse estilo estabeleceu novos parâmetros, tanto para a moda, como para a decoração de interiores, onde beleza, função e ecletismo se tornaram componentes que valorizam todas as culturas.

EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

IMAGEM © Association Willy Maywald © Christian Dior Parfums collection © Anthony Denney © André Kertész © RMN – Grand Palais © Sabine Weiss

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