Katie Ridder & Peter Pennoyer

6 de Junho de 2017

Durante a construção da própria casa de campo em Millbrook, Nova York, Peter Pennoyer e Katie Ridder sua esposa, que assina a decoração de interiores, tinham certeza que desejariam escrever um livro que descrevesse o processo criativo dos dois e partilhar a experiência de um projeto pessoal. “Queríamos contar nossa história, que consideramos interessante, para um público mais amplo, e não apenas com o objetivo de falar simplesmente para arquitetos ou designers de interiores”, atesta Peter Pennoyer. No entanto, o projeto do livro “A house in the country”, co-escrito com Anne Walker e lançado pela editora Vendome, só começou depois que o casal tinha se estabelecido na casa. “Não conseguimos escrever antes do primeiro ano da mudança”, confirma o arquiteto multi-premiado. “Entre escrita, fotografias e layout levamos um total de 18 meses, o processo mais complicado foi o fato de escrever um livro sobre a história da nossa arquitetura. Correspondance Magazine® conversou com o casal de americanos Peter Pennoyer e Katie Ridder para escutar as histórias que circundaram esse projeto e as dificuldades de escrever um livro sob uma ótica arquitetural pessoal. “Para este livro “A house in the country”,  tivemos que encontrar uma maneira de transmitir nossa paixão por arquitetura, designer de interiores e jardins de forma consistente sem sobrecarregá-lo com antecedentes pessoais. ”

Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre o projeto pessoal de sua casa de campo?

– Pensei sobre o que gostaria de saber sobre uma casa. Meus clientes são sempre curiosos sobre os detalhes, então pesquisei sobre técnicas de construção e artesãos especializados. Visitei a loja onde as janelas foram feitas e o estúdio onde foram esculpidos os moldes de gesso. Juntei todas as informações sobre a casa e em reuniões com a equipe e nosso editor percebemos que tínhamos bastante material para ser formatado e organizado. Meu objetivo era fazer um livro claro e, valendo-se do jargão, livre de ‘autocongratulação’. De qualquer forma, não acredito que dizendo ao leitor que alguns aspectos da casa são bonitos ou interessantes vai fazê-lo acreditar no meu ponto de vista. Penso que cada leitor tem sempre sua reação pessoal sobre tudo e o mesmo vale para a minha casa.

Qual a parte mais gratificante de todo esse processo de escrita para você?

– Ao examinar a casa do jeito como tinha escrito sobre o trabalho de outros arquitetos, me vi de maneira mais objetiva que normalmente. Acho que a capacidade de ser objetivo sobre o seu próprio trabalho, coloca você literalmente com os pés no chão de uma forma positiva.

Do que você mais se orgulha nessa nova casa de campo?

– Durante o processo de construção da nossa residência, aprendi com membros mais jovens do meu estúdio sobre algumas características que tornariam a casa, de alguma maneira, “verde”. O meu fato favorito desse processo de construção e aprendizado é a “tela de chuva”, uma série de canais de ar colocados por trás da fachada da casa que funciona tanto para o aquecimento como para o arrefecimento durante as estações. Aprecio o fato de que, por baixo da parte exterior dessa bela residência de arquitetura tradicional, temos a vantagem de tirar partido da tecnologia de ponta.

O que você gosta sobre o fato de ser um arquiteto?

– Gosto do fato de que estou constantemente aprendendo. Cada novo projeto é como um quebra-cabeças que precisa ser montado do nada, todavia, o que parece ser uma repetição apresenta novos e emocionantes desafios todos os dias. Cada vez que vejo um grande edifício, sinto que escolhi a profissão certa e isso ressoa no meu íntimo. Esta é uma profissão onde o sentido da arte cresce de forma mais acentuada à medida que envelhecemos e, com o passar dos anos, sinto que meu conhecimento é mais profundo. Também tenho a sorte de trabalhar com amigos que tem grande talento e, cujos pontos fortes, compensam os meus pontos fracos.

Que conselhos você daria para alguém que está construindo uma casa no campo ou sobre outros projetos de arquitetura em geral?

– Para projetar com sucesso, evite explicitamente a ilusão de lutar pela originalidade, porque você nunca vai fazer um edifício ser original. Originalidade é um resultado ocasional, um processo de acordo mútuo entre o edifício em construção e as ideais do arquiteto; é uma equação que o arquiteto usa para cultivar uma forma disciplinada de resolver um problema. A casa é o produto final de um esboço sem fim, de inspirações incontáveis, de falsos começos e desventuras que finalmente dão lugar a um processo mais disciplinado. A concepção da nossa casa de campo foi tratado como qualquer outro projeto, em outras palavras, a casa teve que se tornar uma peça colaborativa seguindo o estilo de como trabalho em todos os meus projetos.

IMAGEM – Eric Piasecki

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