La Grande Motte

6 de Junho de 2017

Construída por um único arquiteto nos anos 60, essa Atlântida da arquitetura moderna com seus prédios que emergem de vastos jardins e espaços verdes é a metáfora de um sonho que se transformou em realidade. Logo na chegada, a primeira imagem que se tem de La Grande Motte é uma impressionante alameda de árvores que forma um túnel circundado por prédios que emergem como verdadeiros champignons gigantes nos jardins. Essa arquitetura singular leva a assinatura de Jean Balladur, um visionário que imaginou e desenhou cada detalhe urbanístico dessa mitológica estação balneária, localizada na região do Languedoc-Roussillon, no sul da França. Criticado, admirado, mas definitivamente persistente, o arquiteto Jean Balladur é considerado, sobretudo, como um visionário. Alguém que tinha a verve e a coragem de assumir seus desejos e de realizá-los mesmo quando as circunstâncias mais adversas poderiam fazê-lo desistir.

Erguer uma estância balneária sobre uma várzea foi uma das dificuldades que poderiam tê-lo feito abandonar o projeto, mas, ao contrário, o grau de complexidade do projeto fez com que Balladur criasse alternativas arquiteturais e de mobiliário urbano que hoje conferem à La Grande Motte uma áurea de Atlântida do Século 21. Imbuído, em parte, de uma ambiciosa e abrangente demanda política do governo da França, o arquiteto Jean Balladur fazia parte de um plano global que incluía a criação dos balneários de La Grande Motte e Cap d’Agde, na região do Hérault, se estendendo para além do porto Leucate e Gruissan Aude, e dos portos Barcarès e Saint Cyprien, nos Pirineus Orientais, e ainda o porto Camargue, na região do Gard. O maior desafio atual de La Grande Motte é criar política públicas que levem à sua conservação visitando sua transmissão às gerações futuras.

Até parece que foi ontem, mas já se passaram vários anos, no entanto, La Grande Motte não perdeu nada do seu charme dos anos 60. Toda essa aventura começou em 1965-1970 e, no início, não havia absolutamente nada, além da natureza selvagem e mosquitos a perder de vista. Estradas, residências, nem mesmo um acesso direto existia, aliás, foi a partir da construção dos primeiros prédios e com a criação dessa cidade litorânea, referência de arquitetura urbanística, que o lugar entrou na rota de alguns turistas curiosos. Como em todo projeto faraônico, o início foi difícil, mas Jean Balladur, arquiteto-chefe e planejador do projeto, assumiu durante anos esse projeto de envergadura que mudou drasticamente a paisagem costeira do Languedoc e transformou La Grande Motte, premiada como referência de turismo sustentável, num negócio economicamente rentável para a população local e seus investidores, transformando de forma ordenada e ecológica essa região. Essa parte histórica do projeto de criação desse balneário, corrobora o trabalho de Hércules de um homem e seu valor, como um arquiteto visionário que, graças ao seu talento La Grande Motte é reconhecida atualmente como símbolo do Patrimônio do Século 20.

De litoral selvagem, Balladur transformou La Grande Motte num campo de experiências e fez com que a cidade balneária entrasse na rota turística, tanto de franceses como de estrangeiros e local de referência dos amantes de uma arquitetura arrojada. Por tudo isso, para quem ainda não conhece a região o ideal é arrumar as malas o mais rápido possível para desfrutar de La Grande Motte e se aventurar entre seus prédios de arquitetura singular, passeando em meio a esse irresistível universo de concreto. A visibilidade internacional que o local goza não é à toa, desde à entrada e durante um simples passeio à pé já é possível reconhecer a identidade do lugar com seus imponentes prédios que plantados entre ou que emergem à beira-mar. Como o local ainda não foi invadido pelos paparazzi é possível passear pelo complexo de prédios, atravessando jardins e alamedas onde estão concentrados os apartamentos de veraneio ou, por sorte, cruzar com um dos simpáticos e ilustres residentes, que do alto de seus terraços tem uma vista de 360 graus sobre esse cartão postal.


Ao redor de La Grande Motte, os jardins que circundam os prédios conduzem à sinuosas veredas que levam o visitante ao longo da beira-mar com suas praias urbanas que são um convite para quem deseja se lagartear ao sol. Na rota que conduz até à marina, restaurantes, lanchonetes, bistrôs e hotéis desenham a paisagem entre o mar e o continente. Ao longo de toda a orla, moradores e visitantes mostram toda a sua habilidade nas diversas instalações desportivas que propõem atividades aquáticas, mergulho submarino, esportes náuticos em alto mar, jogos e muita badalação musical com concertos na praia assim que o verão chega.

Durante todo o trajeto na cidade, uma infinidade de prédios arredondados, retangulares, ovais, triangulares chamam a atenção pelo inusitado de suas formas transformando o percurso que leva aos bairros e regiões de praias afastadas numa verdadeira aula de arquitetura. Para conhecer e se acostumar à essa diversidade que La Grande Motte propõe com seus caminhos bem traçados e indicados visivelmente com placas que contam a história do lugar, o visitante pode se entregar à longas caminhadas ou ainda alugar um segway ou uma bicicleta para completar as distâncias de um extremo a outro. Com a magrela dá para acessar diferentes trilhas entre belas veredas recheadas com a fauna e flora locais, degustar as delícias da gastronomia regional ou ainda fazer passeios de barco, praticar golfe, se entregar à uma bela partida de tênis ou apenas se entregar ao dolce far niente em meio a um cenário da Atlântida perdida. Afinal, na La Grande Motte não há turistas apenas visitantes apaixonados pela arte de viver.

TEXTO & EDIÇÃO – Marilane Borges

IMAGEM – Christian Nouzillet em reportagem especial para Correspondance Magazine®

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