Medusa, joias e tabus

1 de Junho de 2017

Assim como o rosto da Medusa, na mitologia grega, petrificava quem o encarava, a joia atrai e perturba quem a concebe, observa e lhe porta. As joias têm uma longa tradição de item mágico, desde os tempos pré-históricos com os adornos de conchas e dentes. Todas os nativos das culturas egípcia, celta, africana, americana até os Vikings criaram amuletos usados ​​no corpo capazes de atrair a fortuna ou afastar a má sorte. Até hoje, diferentes culturas falam de amuleto da sorte, talismã, fetiche quando se trata de joias que agregam poder e simbolismo.

“Medusa, joias e tabus”, exposição em cartaz no Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris até 5 de novembro de 2017, conta com mais de quatrocentas peças que apresentam um olhar contemporâneo e único sobre esse adereço que revela certos tabus como um adorno ambíguo e transgressor. Organizada em torno de quatro temas: identidade, valor, ritual e corpo, cada seção parte de um à priori muitas vezes negativo em torno das joias para melhor desconstruir e revelar a força subversiva subjacente de cada objeto.

Muitas vezes catalogada de “muito feminina”, a joia foi, porém, até a era industrial uma insígnia do poder ou ornamento masculino. “O cone de Avanton, de 1000 antes de Cristo, testemunha Anne Dressen, curadora da exposição. Este ‘tampão’, que raramente deixa o Museu Arqueológico Nacional de Saint-Germain-en-Laye, nos arredores de Paris, é coberto por uma única folha de ouro, quase puro, martelado. Tal qual um troféu, seu volume confere uma posição superior ao homem que o usa.”

No entanto, o território das joias masculinas foi reduzido a algumas simples peças. Os relógios compensam esta falta de propostas, visto que as joias masculinas são definidas por critérios técnicos e funcionais, distinguindo o homem sério e ativo da mulher frívola e fútil”, aponta Dressen. Portanto, dândis, hippies, punks, rappers com correntes de ouro e outros motociclistas ostentando enormes anéis de prata são a imagem da figura rebelde e assumem o seu gosto pela joia espetacular. “Ao operar uma mutação ao longo do tempo, a joia se reinventa. É por isso que uma gravata, por exemplo, tem o seu lugar na exposição: ela representa hoje o colar de ontem.” Entre as curiosidades da exposição, encontra-se um anel de trambiqueiro do século XVIII cujo espelho reflete as cartas do jogo, assim como as luvas de estrasse de Michael Jackson, assimétrica e ornamental, ocupam não apenas o pulso mas toda a mão e as joias do famoso pianista americano Liberace que subia ao palco coberto de diamantes.

TEXTO – Chantal Manoncourt

IMAGEM © Estate of Evelyn Hofer © 2017 Calder Foundation New-York / ADAGP, Paris © Mellerio © Collection Cartier, foto Nick Welsh, Cartier © Vivienne Westwood Ltd © Musée du quai Branly – Jacques Chirac – RMN-Grand Palais / image musée du quai Branly – Jacques Chirac

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