Chris Kainik

26 de Janeiro de 2016

Photos Christian Nouzillet

Mais de vinte anos estudando Belas Artes em Dunkerque e no Havre resultaram num belo diploma de designer gráfico. Chris Kainik com seus conhecimentos de designer gráfico e seus diplomas, começou a trilhar uma rota que parecia traçada para atingir uma carreira de sucesso. Foi isso o que aconteceu em sua ascensão de designer gráfico à web designer até atingir o topo da pirâmide como Diretora Artística num dos escritórios de La Défense, um dos bairros que concentram as prinicipais agências parisienses e internacionais, onde Chris Kainik trabalhou para grandes contas. No entanto, nem a carreira, nem o sucesso a preenchiam, alguma coisa estava faltando. Depois de deliberar algum tempo consigo mesma sobre o assunto, Kainik decidiu partir de Paris para se instalar com sua família no sul da França, porque a artista ansiava em se reconectar com seu primeiro amor: as artes plásticas. “Quando cheguei em Vallauris visitei a Escola de Grand Jean e me inscrevi sem hesitar numa formação sobre a arte do fogo,” relata. Após esse treinamento de um ano, Chris Kainik obteve o diploma e para complementá-lo fez mais um ano na seção “Jovens Designers” onde desenvolveu um projeto para refinar seu conhecimento e poder em seguida abrir seu próprio estúdio em Vallauris. Leia a seguir suas ideias sobre inspiração, criação e sobre a arte de viver de uma paixão.

O que inspira você?

– As minhas fontes de inspiração são muito pessoais, porque meus projetos são próprios e tenho a liberdade de escolher as cores que refletem minha personalidade, de preferência, cores alegres, na minha obra não há lugar para cores sóbrias. Obviamente, a formação de designer gráfico me deu o senso do equilíbrio, gosto de perceber que nada ultrapassa as linhas do desenho, além disso, é impossível esquecer esta arte de rua que amo e que ainda me toca profundamente. Por um longo tempo adorei esta arte e suas infinitas possibilidades de marcar livremente cada palavra com uma tipografia própria, isso é mágico!

O que a motivou a criar cerâmica?

– Inicialmente foi um encontro casual com esta escola de arte de Vallauris onde obtive minha licenciatura em arte do fogo, uma técnica que realmente não conhecia, apesar de vários anos nas artes plásticas. E, em seguida, a paixão pelas mãos no barro, quando percebemos que as possibilidades são infinitas, esse exercício faz com que deixemos nossas ideias do papel para um objeto 3D e essa opção tridimensional é simplesmente incrível. Além disso, a cidade de Vallauris tem uma forte ligação com a cerâmica. Picasso passou por aqui, grandes ceramistas como Capron, Portanier e Claude Aïello ainda hoje trabalham em prol dessas habilidades artesanais, por isso, meu objetivo é poder colaborar e dar continuidade a este ofício, trazendo o meu toque pessoal de artesã, criando peças únicas para manter essa tradição. Tenho muito orgulho disso!

Quais os adjetivos que melhor descrevem seu trabalho?

– Felicidade, cores e pop art.

Como você escolhe os seus modelos de peças?

– Eu não os escolho, eles vêm a mim. Depois de me debruçar sobre o bloco de desenhos e desenhar vários modelos, fazer os ajustes necessários, às vezes, depois de meses esses personagens continuam a falar comigo e, então, decido realizá-los em 3D. Como o meu coelho “Graffer” que decidi esculpir as muitas formas e meus personagens recorrentes “Ruperd”.

Quem dita o ritmo do seu trabalho: a razão ou a intuição?

– Sou totalmente guiada pela intuição e mantenho o meu curso de ação com minhas próprias ideias, quer elas agradem aos outros ou não. Na verdade, faço apenas o que amo e quero permanecer livre. Embora seja fã de arquitetura e decoração, nunca me deixei ser influenciada pelo que vejo, muitas vezes vejo coisas bonitas, mas que não fazem parte do meu universo.

Quais personalidades do mundo da decoração e do design a inspiram?

– Acho os designers fabulosos. Philippe Starck foi uma das minhas primeiras paixões como jovem estudante. Agora os objetos tem linhas puras quase irreais, basta olhar para as obras de Olivier Gagnère, dos irmãos Bourrelec ou Mathieu Lehanneur. Não sei se eles me inspiram porque minhas esculturas não são consideradas design. Todavia, as pessoas me inspiram pela sua originalidade e personalidade, sobretudo, porque eles também contribuem com o artesanato já que a maioria utiliza os serviços de um artesão para o desenvolvimento de suas peças. De qualquer maneira, não posso trabalhar para designers, pois minhas criações me solicitam bastante. Quanto à decoração, ela é especial, e qualquer estilo de decoração me inspira mas, ao mesmo tempo, a reprimo porque ela não me é semelhante. No mais, as personalidades do mundo da decoração são demasiado díspares para mim e não me inspiram em particular, no entanto, diante de alguns nomes eu entro em êxtase! Joseph Dirand, por exemplo, porque ele é jovem e criou uma nouvelle vague de talentos ou ainda Alberto Pinto pela sua experiência e classicismo.

Como você se define: decoradora, artista, designer ou ceramista?

– Sou uma artista-ceramista acima de tudo! O amor à terra vem em primeiro lugar e não pretendo ser uma designer ou decoradora, apenas uma artesã que adora tudo o que é bem feito e pode contribuir, certamente, com o trabalho do decorador ou do designer.

Quais são seus próximos projetos?

– Vou continuar à trabalhar desenvolvendo peças com a escrita, esculpindo palavras e tags em 3D. Em 2017 planejo trabalhar na “bomba”, estilo de desenho em quadrinhos no formato redondo com um pequeno pavio e seus bastões de dinamite ou ainda dar continuidade aos meus cilindros de gás em cerâmica pintados com meus retratos explosivos…

Imagem – Christian Nouzillet

www.chriskrainik.com

 

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