Um dia com Claude Monet

12 de Abril de 2017

“Era preciso vir a Giverny para poder conhecer melhor Claude Monet, sua personalidade, seu prazer de viver, sua verdadeira natureza íntima (…) Essa casa e esse jardim é uma obra de arte e Monet colocou toda a sua vida para criá-la e aperfeiçoá-la”, confessa o amigo do artista Gustave Geoffroy. “A sala-ateliê era cheia de vida e juventude nos idos de 1886 onde estive pela primeira vez (…) Quando terminávamos as refeições, era aqui que tomávamos o café, atravessando a sala onde encontra-se a biblioteca de Monet. Era nesse local que Madame Monet, rodeada de seus filhos e afilhados, aparecia com o esplendor de uma vida feliz revelados através de seus olhos vivazes”, relata o historiador e crítico de arte Geoffroy.

Foi em 1883 que o pintor Claude Monet avistou, pela janela do trem, essa propriedade que viria a ser seu ateliê a céu aberto. Depois de muitos processos difíceis e administrativos ele cavou lagoas para criar os jardins aquáticos e, em 1895, construiu a famosa ponte japonesa, totalmente restaurada hoje. “Estou em êxtase, Giverny é um lugar lindo para mim e para se viver…” escreveu para um amigo apenas um mês depois de ter se instalado no local. A casa, em estilo burguês para os padrões da época, já estava pintada de rosa, ele então decidiu fazer pequenas reformas, como trocar o cinza das pilastras e das portas pelo verde intenso e colorir a varanda que rodeia quase toda a construção. Essa ideia de ter um terraço circundando a casa, permite acessar sua entrada diretamente pelo jardim; em lugar das escadarias de pedras agora existem plantas trepadeiras e uma infinidade de roseiras, que se espalham pelas paredes.

À esquerda da entrada, há o salão de leitura, com as paredes e os móveis pintados em tons de azul, que dá acesso para um pequeno vestíbulo através do qual é possível chegar a um anexo, onde Monet construiu um ateliê para alojar seus cavaletes e painéis em verniz; as grandes janelas que dão para o jardim deixam penetrar muita luminosidade nessa espécie de celeiro. Foi aqui que Monet trabalhou até o início de 1899, data em que construiu um segundo atelier externo. O primeiro atelier deu lugar pouco a pouco a uma sala, onde os visitantes eram recebidos e onde eram servido o café e os aperitivos após as refeições. Depois dessa reforma o local tornou-se uma confortável sala-ateliê com suas cadeiras em ratan, seus canapés e tapetes. As fotos e os objetos familiares conferem uma atmosfera íntima e agradável.

Descendo as escadas, penetra-se, ao longo da entrada, em uma sala espaçosa, onde era anteriormente um quarto e uma cozinha. Monet mandou pintar toda a peça em tons de amarelo: paredes, teto, janelas, portas, cadeiras, os dois bufês, tudo nesse espaço gira em torno dessa cor com algumas tonalidades claras e outras mais fortes. No centro, de ponta a ponta da mesa – também amarela – é possível acolher até quinze convivas. Com porcelanas de Limoges e os famosos “Bleues de Chine”, esse é o lugar onde eram servidas as refeições que se tornaram referência de boa mesa e da calorosa acolhida do artista, tão evocada por seus amigos e admiradores. “Os almoços em Giverny eram deliciosamente maravilhosos. Monet sempre apreciou a boa mesa e a companhia dos amigos”, comentava René Gimpel.

O interesse de Monet pelos jardins era antigo. Em um quadro pintado por Manet em visita a Argenteuil, em 1874, intitulado “La famille Monet au jardin”, Monet, aparece em segundo plano jardinando. É sabido que até a morte do seu amigo pintor Caillebotte, um apaixonado por jardins, ele trocava receitas de jardinagem. Antes mesmo de habitar Giverny, os jardins são uma inspiração para suas pinturas: em sua residência em Argenteuil, na primavera de 1872, ele pinta dois motivos de flores lilás, mas com iluminação diferente, uma com o tempo cinza e outra com o tempo ensolarado; até mesmo em Paris, os jardins públicos serviam de inspiração, como os das Tulherias e o Parque Monceau.

Essas e muitas outras histórias podem ser apreciadas no belo livro, lançado pela editora Flammarion com fotografias de Francis Hammond, que convidam o leitor a passar “Um dia com Claude Monet em Giverny”.

IMAGEM © Francis Hammond/Flammarion 

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