Marcio Kogan

11 de janeiro de 2021

Considerado um dos mais importantes arquitetos contemporâneos do Brasil, Marcio Kogan iniciou sua carreira como cineasta até rodar seu primeiro longa que o levou à falência e, felizmente para nós, o conduziu ao caminho da arquitetura. O estúdio que ele fundou MK27 é um esforço colaborativo onde cada um dos 30 arquitetos participa igualmente de todas as fases do projeto, e cujo trabalho envolve design industrial além de elementos de cinematografia e arquitetura tradicional. O resultado é uma relação cliente-arquiteto altamente pessoal com uma atenção intensa aos detalhes, em que cada designer atua como um artesão, o resultado pode ser visto no novo projeto de hospitalidade, Patina Maldivas, situado nas Ilhas Fari, um hotel inovador onde as necessidades dos hóspedes, a comunidade e a conexão com a natureza é expressa por meio da arquitetura.

O estilo de design do MK27 é ode à reimaginação do modernismo brasileiro com extrema atenção aos detalhes, volumes puros e foco na simplicidade formal. O Studio MK27 ganhou mais de 250 prêmios nacionais e internacionais, como o do Institute of Architects of Brazil (IAB), Bienal de Arquitetura de São Paulo, World Architecture Festival, Architectural Review, Bienal de Arquitetura Ibero-americana de Buenos Aires, Wallpaper Design Award e Prix Versailles. Marcio Kogan fala de como o cinema influenciou sua arquitetura: “As proporções cinematográficas da tela ampla, a luz, a emoção constante exigida pelo filme, o trabalho em equipe e talvez muitas outras coisas que se infiltraram em minha alma…” O pai de Kogan foi um engenheiro arquiteto modernista em São Paulo na década de 1950. Embora Aron tenha falecido quando Kogan tinha apenas oito anos, ele o deixou com uma paixão duradoura pela arquitetura.

Quais arquitetos e designers que você admira?

– Mies van der Rohe pelas proporções de seus projetos, como o pavilhão de Barcelona “a obra-prima da história da arquitetura”. Oscar Niemeyer e os modernistas brasileiros Vilanova Artigas, Lucio Costa e a melhor Lina Bo Bardi que merecia mais notoriedade.

Qual é o DNA do Studio MK27?

– Nosso DNA é tentar mantê-lo simples e isso exige muito esforço.

Como você garante uma oferta única como Patina Maldivas, nas Ilhas Fari, em um mercado tão concorrido?

– Acho que o Patina Maldives é único na região: oferece uma oportunidade de estarmos juntos e isolados. É um dos lugares mais remotos e ainda assim, um lugar projetado para as pessoas se verem e se encontrarem. Patina Maldivas abraça nossos conflitos naturais: desejo de paz e festa; pela natureza e design; tecnologia e rusticidade; autoindulgência e reflexões profundas; pé descalço e salto alto.

Quais as suas percepções em relação às tendências hoteleiras que vão ou estão alterando o setor?

– Vejo uma crescente atenção à conexão com o lugar e a cultura, a importância da singularidade e da autenticidade. O papel especial do bem-estar com locais de exercício e meditação, uma generosa vista panorâmica. E mais recentemente, claro, a necessidade de espaços ao ar livre, uma integração profunda com a natureza, espaços que sejam acolhedores e poéticos, ao invés de esculturas arquiteturais. Também percebo esse momento como um estágio final para o voyeurismo, para a observação de nós mesmos e, portanto, para nos reconectarmos conosco e com os outros. Vejo a busca pela diversidade, pela empatia com o outro e com o nosso meio, a necessidade de soluções silenciosas para os nossos problemas.

Qual é o maior equívoco sobre design de hotéis?

– Extravagância. O design de interiores precisa falar baixo e precisamos sonhar mais alto.

Por que você achou que era importante para o design do Patina Maldives ter uma conexão tão forte com a natureza?

– Lelé, um dos menos famosos e brilhantes arquitetos brasileiros disse uma vez: o papel da arquitetura é evitar o desastre. Nas Maldivas, há areia, céu e oceano – tudo o que a arquitetura pode fazer é humildemente filtrar as luzes, enquadrar as vistas, criando diferentes narrativas enquanto se caminha pelos magníficos arredores.

Onde você acha que é o melhor lugar no resort?

– Vejo alguns momentos de sutileza e emoção: a vista do céu emoldurado bem no centro do pavilhão James Turrell. A presença delicada de uma pequena barraca de flores, ao entrar no vilarejo. Uma cadeira baixa sob a sombra de uma árvore, com vista para o mais belo panorama de água azul do mundo, ouvindo Chet Baker. Existe algo a acrescentar ou tudo isso pode ficar ainda melhor?

Reportagem Especial Correspondance Magazine®

IMAGEM – Cortesia do Studio MK27 clicadas por Fernando Guerra © Todos os direitos reservados

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