Masha Reva

18 de junho de 2021

Para a artista e diretora de arte ucraniana Masha Reva, encontrar sua voz criativa foi uma jornada complexa de dificuldades e belas revelações. À medida que seu caminho se desenrola, Reva nos conduz por uma obra que tanto nos desafia quanto nos deslumbra. A carreira de Masha Reva começou no design de moda, uma base ainda vista em seus trabalhos desenhados em tecidos e no fascínio pela figura humana. Depois de se formar na Central Saint Martins College of Art & Design de Londres, Reva sentiu que tinha mais a dizer do que a indústria da moda poderia suportar. Ela recusou um emprego em Londres e voltou para Kiev, aterrorizando temporariamente seus pais, que o apoiaram, já que seu pai é escultor e entendia a atração magnética pela arte.

Macha começou a desenhar e nunca mais parou, passando a colaborar com as principais marcas de moda, expor em museus internacionais e criar uma peça de cenário para o Bursa Hotel de Kiev. Em um de seus projetos mais marcantes, Reva desenhou cenários e figurinos para a produção da Culture Device de The Rite of Spring, um balé realizado por artistas com Síndrome de Down na Royal Opera House de Londres em 2019. A cada novo projeto que ela assume, Reva se desafia para aprender, conferindo ao seu público revelações tão bonitas quanto um passeio selvagem.

No seu processo criativo Reva está sempre observando, tirando fotos enquanto se move pelo mundo. Ela começa projetos com um processo de pesquisa envolvido, então começa a esboçar. Como ela está constantemente construindo suas próprias habilidades, Reva acredita que a jornada é mais emocionante do que o produto acabado. Sem necessariamente reivindicar a fama, Reva criou estampas para a coleção de outono de 2016 de Rachel Comey, projetou uma série editorial chamada “By the Sea” para Jacquemus e colaborou com a marca de bolsas KARA, NY. Seus materiais favoritos para trabalhar continua sendo a exploração têxtil mas ela também se vale da pele humana como tela.

O que você mais ama no seu trabalho?

– De um desenho a um projeto complexo, estou sempre aprendendo. Esse estado de autotransformação me traz alegria.

Seu trabalho é muito sonhador. Existe uma razão no fato de querer fazer as pessoas sonharem?

– Tudo o que faço tem uma abordagem pessoal. Meu objetivo é criar um impulso que irá energizar outras pessoas.

Conte-nos um pouco sobre como você acabou colaborando com o Bursa Hotel?

– Conheci Vasily Grogol, o proprietário, quando o projeto do Bursa estava se formando e nos tornamos bons amigos. Na véspera da inauguração, ele me ligou para perguntar se eu poderia fazer uma pintura para o saguão. Quando os mensageiros trouxeram a tela, fiquei chocada, não sabia o quão grande ela deveria ser! E raramente pinto em tela. Liguei para Vasily para dizer que não tinha certeza se a coisa toda iria dar certo e ele disse, “Masha, é só uma tela!” Bem, seria justo dizer que adoro desafios. A tela foi criada durante a noite. E é o meu autorretrato.

De que maneira a cena criativa ucraniana influencia seu trabalho?

– Amo de forma absoluta o caos e me sinto mais como uma estranha na cena criativa local, como uma observadora que joga seu próprio jogo. Sinto-me mais inspirada pelas ruas de Kiev e os personagens que encontro aleatoriamente. Em qualquer caso, todos os meus jovens artistas ucranianos favoritos são meus queridos amigos e estou feliz por podermos discutir sobre o nosso trabalho e nos inspirarmos mutuamente.

Você tem alguma descoberta cultural recente que gostaria de compartilhar com nossos leitores?

– Estou lendo um livro chamado Ninth Street Women, de Mary Gabriel, sobre mulheres artistas abstracionistas nos Estados Unidos. Meu namorado e eu recentemente assistimos a um filme sobre o movimento abstracionista chamado The New York School, que também foi muito inspirador.

O que você mudou em sua vida no ano passado para ser mais sustentável?

– Por um lado, adoro me rodear de coisas bonitas e adoro pesquisar roupas raras no eBay, por exemplo. Mas durante a pandemia, reconsiderei o que realmente preciso e tornei meu apartamento e guarda-roupa mais minimalistas. Adoro reciclar minhas roupas velhas em um tamanho menor ou ainda minhas saias que tiveram que ser remodeladas porque tive uma perda de peso dramática nos últimos dois anos. Em geral, acho que esse tempo que fiquei em casa trouxe percepções mais profundas sobre como vivemos, com quem estamos e o que é essencial para nossas vidas.

Como as viagens inspiram seu trabalho?

– Amo estar em movimento, é uma parte indispensável do meu processo de pensar criativamente. Quando me movo, meus pensamentos aceleram. É difícil imaginar um mundo sem o ritmo das emoções que sentimos quando estamos em movimento.

Reportagem Especial Correspondance Magazine®

IMAGEM – Cortesia da artista Masha Reva © Todos os direitos reservados

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