Arquitetando, no feminino

10 de Dezembro de 2019

“Breaking Ground”, lançado pela editora Phaidon, rende uma bela homenagem às mulheres arquitetas pioneiras nessa área considerada preponderantemente masculina. Nessa publicação, com textos compilados pela arquiteta Jane Hall, a autora explora as conquistas, os legados e a arquitetura projetada por essas mulheres à partir do início do século XX, como Julia Morgan, Eileen Gray e Lina Bo Bardi, entre muitas outras arquitetas e o melhor do talento contemporâneo, através de exemplos que vão de Kazuyo Sejima à Elizabeth Diller e Grafton Architects. Essas lendas contemporâneas construíram seus nomes recuperando, elevando e atualizando a estrutura de sua base cultural contra o grão do patriarcado enraizado num cenário global, tendo a arquitetura como uma prática mergulhada em uma rica história estética e um mercado internacional exigente. Através desses ícones do século XX, “Breaking Ground” celebra o talento inovador de uma arquitetura extraordinária, que independe de gênero.

Considerada pela revista Time a arquiteta mais influente do mundo, a polonesa Elizabeth “Lizz” Diller já alcançou o topo da sua profissão, e não dá sinais de parar. Ainda em 1979, Diller fundou com seu marido o estúdio Diller Scofidio + Renfro, vencedor de dezenas de prêmios internacionais de arquitetura e design. Professora de arquitetura da Faculdade de Princeton, Lizz se dedicou nos últimos 30 anos à construir prédios e instalações que desafiam a compreensão clássica ao misturar arte, arquitetura e a busca pela função social do espaço.  Provocadora, Lizz não se limita a criar apenas o que é esperado, mas sim algo que realmente impacte a vida das pessoas e as faça pensar. Entre suas principais realizações, temos o Broad Art Museum, em Los Angeles, o Institute of Contemporary Art, em Boston, o Alice Tully Hall e o Centro Educacional Roy and Diana Vagelos, ambos em Nova York, além de sua obra mais famosa: o High Line, um parque urbano elevado construído nos trilhos de uma antiga ferrovia abandonada.

Lina Bo Bardi (1914 – 1992), ou “Dona Lina”, é uma das arquitetas mais importantes da história do Brasil. A filosofia de Dona Lina valorizava acima de tudo a função social dos prédios, buscando a integração entre o coletivo local e o espaço. Seu uso inusitado dos materiais deu origem a obras ao mesmo tempo únicas e funcionais. Suas obras mais conhecidas são o emblemático Museu de Arte de São Paulo (MASP), localizado na Avenida Paulista, e sua magnum opus, o SESC Pompeia, um espaço de socialização, cultura e arte criado sobre a estrutura de uma fábrica abandonada que incorpora passarelas aéreas, janelas assimétricas e grandes espaços abertos.

Co-fundadora do Studio Gang em Chicago, Jeanne Gang é uma das mais reconhecidas arquitetas da América do Norte. Enquanto arquiteta, Gang é uma visionária humilde, que reconhece a necessidade de buscar inspiração em todos os lugares. “As grandes ideias vêm de toda parte”, disse uma vez. “É mais importante reconhecer uma boa ideia do que pensar uma”. Sua obra mais conhecida é o arranha-céu Aqua Towers localizado em Chicago (EUA), construção de design único e intrigante que se destaca nesta cidade conhecida por seus grandes e emblemáticos edifícios. Nessa mesma abordagem, “Breaking Ground” é um manifesto visual pioneiro de mais de 200 edifícios incríveis projetados por mulheres em todo o mundo.

IMAGEM – Cortesia da editora Phaidon para o livro “Breaking Ground” © Adam Mørk © Lina Bo Bardi, São Paulo Museum of Art, São Paulo, Brazil, 1968 © Steve Hall © Hedrich Blessing © Todos os direitos reservados

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