Lygia Clark

17 de junho de 2020

Influenciada pelo Construtivismo e pela Bauhaus, Lygia Clark (1920 – 1988) é lembrada por seu impacto em vários movimentos históricos da arte, especialmente como pioneira na arte participativa. Clark é uma das artistas proeminentes do século XX, cujo corpo de trabalho pioneiro reinventou a relação entre público e objeto de arte. Membro fundador do movimento neoconcretista brasileiro dos anos 50, Clark propôs uma abordagem radical ao pensamento sobre pintura, tratando sua superfície pictórica como se fosse um espaço arquitetônico tridimensional.

O museu Guggenheim Bilbao homenageia a artista brasileira com uma exposição, batizada de Lygia Clark: Pintura como Experimental, 1948–1958 com foco nos anos cruciais de Clark, de 1948 a 1958, colocando em evidência suas habilidades e experimentações figurativas e abstratas para articular a linguagem visual atraente que definiria a produção de sua carreira artística. Organizada em três sequências cronológicas – Os primeiros anos (1948 a 1952), Abstração geométrica (1953 a 1956) e Variação na forma: espaço modulador (1957 a 1958), a mostra oferece uma perspectiva enriquecedora sobre a primeira década da carreira de Lygia Clark. O grande diferencial dessa exposição se apóia numa seleção de desenhos, que datam dos primeiros anos criativos da artista e que são raramente apresentados ao público, além de uma coleção de pinturas compostas de várias séries criadas durante esse período.

Durante o início de sua carreira na década de 1950, Lygia Clark produziu pinturas geométricas baseadas em sistemas e esculturas com influência construtivista. Pouco depois, juntamente com os artistas Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Pape e poeta Ferreira Gullar, Clark co-fundou o movimento Neoconcreto. Experimentando modulações de forma, cor e plano, seus primeiros trabalhos abstratos abrigavam composições que desafiavam a borda da tela e estendiam o campo visual da pintura para o domínio físico do espectador. Seus icônicos “Bichos”, ou esculturas construídas em aviões de metal, permitiram que o público exercesse a autoria através da participação. A confiança de Clark no espectador para guiar suas esculturas por muitas configurações possíveis não apenas prejudicou a autonomia do objeto de arte em si, como também reconfigurou sua arte como um evento performativo e baseado no tempo.

A artista mudou seu foco para a fenomenologia e o que mais tarde seria chamado de prática social, ela convidou seu público a se envolver com objetos que acionavam sensações e memórias pessoais e aumentava a consciência do espectador sobre si mesmo. Nessa época, ela criou seus icônicos “Bichos”, esculturas de metal que os espectadores foram convidados a reorganizar. Na década de 1960, seu trabalho deu uma guinada conceitual quando Clark começou a criar objetos efêmeros e mutáveis. Seu trabalho tardio continuou a investigar a percepção sensorial e a interação ao longo de temas de psicoterapia e cura. Ao longo de sua vida, Clark permaneceria uma figura seminal da vanguarda internacional, impactando as gerações futuras de artistas com suas ideias transformadoras em torno do corpo, sua presença e agência em um determinado ambiente.

EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

IMAGEM – Cortesia “The World of Lygia Clark” Cultural Association © Todos os direitos reservados

 

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