Vivendo num Castelo

22 de fevereiro de 2022

Os castelos evocam no nosso imaginário as conquistas românticas, as defesas bélicas e é um local que, por sua natureza, expressa sentimentos de maneira intensa. A arquitetura do castelo e suas dependências, a excepcional qualidade da restauração dessas residências centenárias e, principalmente seus interiores, é o mote do livro “Châteaux et Dépendances”, em tradução livre “Castelos e Dependências”, escrito por Catherine Scotto com belas fotografias de Marie Pierre Morel, lançado pela editora La Martinière.

Esse projeto, que sobreviveu aos dois confinamentos, é o resultado de um longo e paciente trabalho, que inclui  reportagem e hospedagem nos castelos selecionados. As images habilmente clicadas por Marie refletem a arte de viver e as sutilezas da decoração de interiores com seus felizes proprietários, vivendo dentro da história dessas antigas fortalezas, que ainda abrigam em suas dependências segredos de outros tempos.

Em “Châteaux et Dépendances” Catherine Scotto envolve o leitor, graças a sua pluma e experiência como diretora de redação de revistas de estilo, detalhando a existência histórica dessas antigas residências aristocráticas, a harmonia das diferentes construções, suas reformas e sua arquitetura interior, testemunhos raros preservados ao longo dos séculos.

Desde a primeira página, o leitor é conduzido nessa visita privada que evoca a doçura de viver com volúpia e em equilíbrio com o passado, adequando o cotidiano às histórias arquiteturais de outros séculos. Correspondance Magazine® conversou com a autora que nos contou detalhes desse projeto e de outros que estão por vir.

Quanto tempo você levou para planejar a publicação do livro “Châteaux et Dépendances”?

– Levamos um ano para produzir, com a fotógrafa Marie Pierre Morel, todas as reportagens para este livro, apesar dos dois longos confinamentos de 2020.

Como o interesse por este assunto em particular surgiu?

– Sempre tive uma boa intuição para antecipar modas e o meu interesse pelo patrimônio e pelos castelos remonta há alguns anos. Sou curiosa e sempre quis descobrirr o que se escondia atrás dos altos portões dessas propriedades. A moda dos papéis de parede panorâmicos (De Gournay, Zuber, etc.), o design minimalista, enfim, como estilista de formação, gosto de estar um passo à frente!

Amigos muito próximos compraram, há três anos, a Manufacture Royale de Lectoure, no Gers, região da Occitania, que será aberta ao público na próxima primavera. Ao vê-los lutando com o trabalho de dar vida ao local, percebi rapidamente que comprar um prédio histórico tombado era uma aventura louca. Desde a pandemia do Covid 19, as vendas de castelos aumentaram 15% em um ano, de acordo com os principais agentes imobiliários do setor (Barnes, Patrice Besse, Sotheby’s International Realty France, Féau).

Conte-nos um pouco sobre a pesquisa que você fez para esta publicação.

– A França tem mais de 11.000 castelos listados e meu playground era vasto. De uma lista de cem lugares, selecionamos apenas 13! Alguns proprietários não quiseram aparecer no livro por motivos fiscais ou por medo de assaltos… Não fotografamos coleções de arte contemporânea cujos direitos visuais custam uma fortuna. Conheci muitos dos escudeiros que aparecem nesse livro e outra grande parte me foram recomendados por amigos.

Quais critérios foram utilizados para escolher os castelos e dependências que figuram nessa publicação?

– Lugares modestos às vezes são muito mais fotogênicos do que grandes apartamentos luxuosos… Já vi tantas casas na minha vida profissional que sei como tirar rapidamente a pérola rara de algumas fotos na internet e principalmente no Instagram. Para não cansar o leitor, escolhi lugares de diferentes estilos, castelos privados e, acima de tudo, proprietários de muito bom gosto. Eles são todos colecionadores apaixonados e caçadores de pechinchas.

Outro critério de seleção diz respeito ao afeto pelo patrimônio, por isso, fui ao encontro de “novos senhores” que não eram herdeiros e não consideravam a restauração de sua propriedade como um fardo, mas sim como o trabalho de uma vida: uma dependência real. Aliás, foi isso que inspirou o título deste livro. Os proprietários concordaram em nos receber como hóspedes porque me parecia importante passar um tempo com eles e permitir que a fotógrafa Marie Pierre Morel absorvesse a atmosfera de cada lugar.

Qual é a parte mais gratificante de todo esse trabalho?

– Conhecemos ótimas pessoas e alguns dos escudeiros se tornaram amigos. Eles também se encontraram na ocasião do lançamento do livro e planejam se reencontrar nos próximos meses. Pareceu-me importante enfatizar que, graças a eles, nosso precioso patrimônio sobreviverá por muitos anos.

Qual é o seu fato favorito sobre “Châteaux et Dépendances” e por quê?

– Venho da quarta ‘geração de pés pretos’ da Argélia e costumo dizer que herdei castelos de areia. Encontrei, em todos esses castelos malucos, partindo do nada, esse mesmo fervor de fincar raízes em algum lugar e reescrever uma nova história familiar.

Você tem alguma anedota para contar aos nossos leitores sobre esses “Châteaux et Dépendances”?

– Quando ouvia as gravações das minhas entrevistas feitas durante as visitas a cada castelo, ria muito. A descoberta de cada local é uma sucessão de maravilhas tocantes. Os castelos de Ravel e Digoine nos deslumbraram. Lascours e Fléchères estão se movendo,do reestruturados. O castelo Pourtaou de Jean Rameau foi um choque estético, mas Jacqueline Sarthou não nos deixou fotografar nada! Voltamos um ano depois para terminar a reportagem.

Os proprietários de Lascours e Larradé são cordon bleu e uma competição de culinária naturalmente começou entre eles para nos alimentar com suas delícas gastronômicas. Devo admitir que fomos recebidas com maestria durante a produção deste livro.

Se as pessoas pudessem tirar um único ponto importante do livro “Châteaux et Dépendances”, o que seria?

– Não queria fazer um livro de decoração em papel brilhante, mas contar belas histórias de casas que são castelos. Admiro muito o trabalho de Marie Pierre Morel e seu olhar íntimo sobre os interiores. Um leitor me disse que era um livro tocante e isso é, para nós, um elogio muito bom.

Existem planos ou ideias para uma nova publicação?

– Acabei de terminar um livro sobre a arte de viver e criar no Marrocos com o fotógrafo Nicolas Mathéus, que será publicado pelas edições La Martinière brevemente. Começamos um novo livro com a fotógrafa Marie Pierre Morel, onde haverá grandes histórias de casas para contar mas algo completamente diferente dos castelos. No entanto, não posso dizer nada agora porque fizemos apenas duas reportagens e voltaremos à estrada na próxima primavera.

EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

IMAGEM – Cortesia da fotógrafa Marie Pierre Morel e da editora La Martinière © Todos os direitos reservados

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