Babados mundanos

26 de julho de 2020

Jacques-Joseph Tissot (1836-1902), que se autodenomina “James Tissot” nos anos 1860, mostra uma extraordinária capacidade de apreender o que seu tempo tem de mais inovador. Seu trabalho nos convida a olhar além das aparências e revela, sob o verniz de um estilo enganosamente clássico e temas aparentemente superficiais, uma arte de modernidade sutil. James Tissot pinta seus conterrâneos de forma brilhante, oferecendo para esta sociedade vaidosa um espelho no qual ela possa se admirar. Mas um olho treinado rapidamente percebe a ambivalência dessas representações brilhantes, sejam pintadas em retratos de mulheres elegantes e bem vestidas ou cenas da vida social.

Centrada na figura e no personagem de James Tissot, o Museu d’Orsay, em Paris, organizou uma grande exposição com foco em torno da arte controversa deste pintor. “James Tissot (1836-1902), a ambigüidade moderna” ancora seu discurso no contexto artístico e social da sua época, apresentando os grandes sucessos desse artista com imagens icônicas e ousadas. A mostra também explora a leitura de sua obra e os temas que lhe são caros, assim como suas variações, além de colocar em evidência a ambição do pintor de se expressar em diversas técnicas, como gravura, fotografia ou esmalte cloisonne, além da pintura.

Quando James Tissot trocou Paris por Londres, ele rapidamente se inseriu no ciclo mundano da Capital e conheceu com grande sucesso as cenas da alta sociedade vitoriana. Assim como os Impressionistas, Tissot pintou moças elegantes em suas casas, passando férias nas margens do Sena em um barco ou em um jardim, além de ser um admirável intérperte da vida social. Tissot pincela com grandes detalhes suas composições de cenas, seus retratos sofisticados e os ambientes que falam das seduções da vida extravagante, que anunciam as evoluções da pintura moderna. Suas telas revelam sua habilidade singular em tirar partido da luz, que triunfa entre o claro-escuro, e a ousadia das suas composições ricas em interpretações.

Formado em Paris, na escola de Belas Artes, mas de olho nos mestres belgas, descobrindo em Londres uma profunda afinidade com a escola inglesa, James Tissot (1836-1902) cultivou o charme ambíguo de um artista excêntrico. Sua anglofilia seduziu o público parisiense e, segundo seus interesses, ele se comportava como um parisiense em Londres e um inglês em Paris. Assimilando as inovações dos futuros impressionistas da década de 1860, amigo de Whistler, Degas e Manet, sua pintura é permeável à estética vitoriana, alimentada por um meio-termo constante, pela visão moderna e pelo saber tradicional.

Nascido em Nantes e criado na costa Atlântica, James Tissot manterá seu interesse pessoal por cenas portuárias e de barco durante toda a sua vida. Essa atração se confunde com o fascínio que ele sempre teve pelos tecidos, fitas e, em geral, pela moda feminina. Seu virtuosismo em transmitir o brilho do tafetá, a leveza da musselina bordada e a elegância de uma fita não tem limite. A perfeição técnica das pinturas de Tissot nos fascina. Seus personagens são silenciosos e se comunicam com o observador através das roupas que usam, como os códigos iconográficos que são usados ​​nas propagandas de moda atuais e é isso que faz do artista um mistério à parte. Para os apaixonados por moda, a exposição é um desfile de beldades vestidas com elegância e sofisticação.

James Tissot escapa de categorizações fáceis. Artesão que experimentou novas técnicas, tanto quanto homem de negócios astuto, cronista de uma sociedade elegante e festiva, mas também pintor do silêncio, ele se aproxima das vanguardas sem pretender fazer parte delas e segue um caminho único, todo seu.

IMAGEM – Tissot James (dit), Jacques Joseph (1836-1902). Royaume-Uni, Londres, Tate Collection.

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