Loucamente divertidos

27 de novembro de 2020

Partindo do princípio que as pessoas criativas sempre serão taxadas de malucas, o Museu de Arte e História do Hospital Sainte-Anne, somou forças para montar a exposição “Follement drôle”, em tradução livre, “Loucamente divertidos” que reúne as diferentes obras da Coleção Sainte-Anne e da Coleção Prinzhorn apresentada nesta mostra, que trata de forma brilhante sobre a conexão existente entre arte e psiquiatria.

A produção do catálogo, que tem edição bilingue em francês-alemão, é das Éditions d’art In Fine e se esmera em mostrar que “loucura” não vem necessariamente acompanhada de “drama”, que certos artistas que estiveram doentes podem lidar com o absurdo e o escárnio com talento, distância e humor. A publicação conta ainda com textos e contribuições de especialistas que lançam luz sobre a análise das criações dos pacientes do quadro psiquiátrico, catalogando suas obras através das diferentes categorias de humor, como piada, caricatura, ilustrações e tiradas espirituosas.

A Coleção Prinzhorn teve grande influência na cena artística surrealista alemã e internacional. Esse projeto nasceu da  vontade do psiquiatra e historiador da arte Hans Prinzhorn de reunir os trabalhos artísticos realizados por pacientes de hospitais psiquiátricos alemães, ainda na década de 1920. Esquecida durante a Segunda Guerra Mundial, a Coleção Prinzhorn foi redescoberta na década de 1960 por Harald Szeemann antes de se transformar em um museu em 2001 na clínica universitária do Hospital Psiquiátrico de Heidelberg. Desde a década de 1980, esta coleção continuou a crescer e hoje abriga cerca de 20.000 obras modernas.

Como o Museu de Arte e História do Hospital Sainte-Anne, a Coleção Prinzhorn tem como objetivo desestigmatizar as obras dos pacientes com distúrbios mentais e incluí-los, como qualquer criação, para apreciação do público em geral. Homens ou mulheres, jovens ou velhos, pobres ou ricos, em geral, pessoas que usam a sua curiosidade para olhar para a mesma coisa com novos olhos, acabam sendo chamados de loucos, não importa se estão dentro ou fora de um manicômio. Mas, na verdade, o que eles tem em comum é uma porta escancaradamente aberta para a mente criativa.

TEXTO – Marilane Borges

IMAGEM – Cortesia do museu MAHHSA © Todos os direitos reservados

Guy Leroux, Sans titre, Sans date, Gouache sur papier collé sur carton 59 x 50 cm, Inv. n°1249, MAHHSA © Dominique Baliko

Alois Marty, Sans titre [Singe fumant derrière les barreaux] 7.9.1969 Stylo feutre, stylo à bille, crayon, crayon de couleur sur papier 29,7 x 21,2 cm Sammlung Prinzhorn, Inv. n° 8404/15 (2011) © Sammlung Prinzhorn, Universitätsklinikum Heidelberg

Auguste Millet, Une famille de Macreuses venues à Paris pour être logées tranquillement, Novembre 1927, Encre et aquarelle sur papier 22,4 x 17,1 cm, Inv. n°0001 MAHHSA © Dominique Baliko

Eduard Paul Kunze,  Sans titre, vers 1913, Crayon, plume à l’encre de Chine, crayon de couleur, gouache sur papier, collage 20,9 x 16,4 cm Sammlung Prinzhorn, Inv. n° 705/3 verso © Sammlung Prinzhorn, Universitätsklinikum Heidelberg

Paul Goesch, Trois cochons 1919, Gouache, crayon sur papier 9,3 x 13,9 cm, Sammlung Prinzhorn Inv. n° 1090/40 (2014) © Sammlung Prinzhorn, Universitätsklinikum Heidelberg

 

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