Mama Shelter Lisboa

25 de maio de 2022

“Quanto mais viajo, mais fascinado me sinto pela história e cultura local. Esse diálogo me ajuda a me expressar criativamente no meu trabalho,” confessa Benjamin El Doghaili, Diretor de Design do Studio Mama Shelter.

Correspondance Magazine® conversou com exclusividade com Benjamin que compartilhou sua visão sobre a hotelaria, nos confidenciou sua paixão pelo seu ofício e nos apresentou o novo Mama Shelter Lisboa.

A identidade dos hotéis Mama Shelter é feita de jovens talentos criativos, tanto no serviço quanto na decoração, como você definiria com suas palavras esse estilo?

– As modas desaparecem e, trabalhando no ramo hoteleiro, o que tento fazer é equilibrar estar na moda e criar um estilo atemporal. Para o design, prefiro esse termo à decoração, do Mama Shelter aprendi a não pular em todas as tendências. Escolho elementos clássicos mas com design forte e qualidade. Dito isso, continuo me informando continuamente sobre coisas novas para nutrir minha paixão pelo belo e funcional.

O Mama Shelter Lisboa tem um forte foco no universo marinho, que traduz a essência da cultura local. Por que retratar a cultura local é tão importante para você?

– Um dos nossos objetivos desde o início era criar essa atmosfera de brisa marítima para apresentar o trabalho artesanal da cidade e sentimos que poderíamos não apenas mostrar a excelência do artesanato português, mas capturar essa sensação de diversão, alegria de viver que faz parte da áurea de Lisboa. A cidade tem muitos artesãos extremamente talentosos e um dos nossos objetivos é fazer com que nossos hóspedes se sintam conectados e inspirados pela história do lugar. Poucas coisas fazem isso tão instantaneamente, num nível tão profundo e emocional, quanto a cultura local.

Existe uma sinergia natural entre os hóspedes do hotel e a comunidade local?

– Ah, boa pergunta! Antes de abrirmos, estávamos preocupados se nossos visitantes se dariam bem com o bairro e os moradores locais. Mas a relação tem sido ótima. Nossos hóspedes são atraídos pela vibração da comunidade e os moradores estão curiosos para aprender com aqueles que têm diferentes experiências, origens e perspectivas. Os dois mundos parecem se alimentar um do outro, contribuindo para criar uma grande atmosfera e uma mistura interessante.

Conte-nos um pouco sobre sua trajetória até se tornar o Diretor Criativo dos hotéis Mama Shelter. 

– Sou arquiteto de formação mas sempre me interessei pela arquitetura de interiores. Depois de terminar meus estudos, ingressei imediatamente no escritório de arquitetura de interiores de Vincent Darré em seguida procurei me aproximar das equipes de Philippe Starck que, gentilmente, me aconselhou a seguir carreira e ingressar no grupo Mama Shelter. Graças a Starck pude trabalhar e me formar com Jalil Amor (in memoriam). Quando ele faleceu, fui indicado para ocupar o seu posto e sou imensamente grato por esse reconhecimento.    

O que você mais valoriza no seu trabalho?

– A autonomia e a confiança que o grupo Mama Shelter – Accor Lifestyle acordam a minha experiência e a vantagem de ter uma equipe que tem um bom olho para detalhes intrincados. Além disso, meu trabalho exige que eu viaje bastante para visitar os canteiros de obras dos nossos futuros hotéis, participar de feiras ou eventos relacionados à hotelaria e desenhar as tendências de nossa identidade visual. Minha equipe me ajuda a coordenar todos esses projetos e compartilhamos nossos insights à partir da perspectiva do hóspede. Além de me ajudar em todas as decisões que tomamos em relação a conceitos de design, decoração de interiores e mobiliário.

Houve um evento divisor de águas em sua vida que o levou ao caminho em que você está agora?

– Não, eu não acho que tudo se deve a um ponto de virada. A vida pode ser uma cadeia de decisões conscientes e inconscientes. Tive a sorte de encontrar pessoas talentosas ao longo do meu caminho e sou afortunado de estar no lugar e tempo certo e pude usufruir das oportunidades que me foram apresentadas. No mais, tudo é trabalho, dedicação e superação.

Se você pudesse ter escolhido qualquer cidade para abrir seu primeiro hotel, onde seria?

– Escolheria Lisboa, que tem tantas facetas verdadeiramente gratificantes, onde as ofertas culturais por si só são enormes e isso é uma atratividade em si. Os foodies são apaixonados pela cidade e acho que essa característica é uma das coisas que cria uma energia realmente excitante em Lisboa. Além de ser uma capital multicultural mas com uma forte identidade própria presente nos restaurantes e bares de seus muitos bairros, que são realmente diversos. O velho e o novo se fundem na paisagem arquitetônica de Lisboa e isso é muito interessante.

EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

IMAGEM – Cortesia do hotel Mama Shelter Lisboa © Todos os direitos reservados

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