Na casa de Frank Faulkner

26 de Fevereiro de 2019

O artista e designer de interiores Frank Faulkner comprou e viveu em muitas casas no Condado de Columbia, em Nova York, e ele mesmo se considera “arquitetonicamente promíscuo”, informações que compartilha com um largo sorriso. Seguindo à moda de Don Juan, Faulkner não consegue se lembrar do número exato de casas do final do século 18 e início do século 19 que ele possuiu durante os últimos 25 anos, algo em torno de 17 ou 18? Ele perdeu as contas e afirma que se mudou para cada uma delas com a melhor das intenções. “Nunca me mudei com a ideia de mudá-las e revendê-las. Sempre pretendi envelhecer nelas, mas quando todas as reformas terminam, e que vivi por um tempo no meu projeto dos sonhos, vejo outra casa com a qual quero brincar… e a aventura continua.”

Mas os dias complicados de Frank podem estar chegando ao fim. Sua casa atual, um aconchegante abrigo constituído de dois quartos, provavelmente construído no final do século XVIII, o conquistou. Situado em uma cidade que ele ama, em Spencertown, oferece conforto, à arquitetura clássica que ele almeja, um lindo jardim desenhado  juntamente com seu parceiro, Philip Kesinger, e o espaço de proporções generosas onde ele pode exibir sua prodigiosa coleção de arte e objetos garimpados. “Eu simplesmente amo a dignidade desta casa”, diz Frank. “Não é uma casa grande, mas é uma casa de proporções muito, muito bonita.”

Contrariando a sabedoria convencional de que paredes pálidas fazem os espaços parecerem maiores, Frank pintou as paredes da sala de estar e a biblioteca de cores relativamente escuras, mas só depois de cometer o erro de primeiro pintá-las de um cinza claro. “Parecia um pouco banal”, diz Frank. “De alguma forma, ter as cores mais escuras combinadas com muitas e muitas pinturas com molduras de folhas de ouro e objetos de gesso branco criaram tanta profundidade que impedia que você pensasse sobre o tamanho da sala.” A biblioteca é pintada na cor Dark Caviar de Benjamin Moore, um marrom-escuro com tons roxos que oferece um contraste dramático à explosão de cores contidas nas paredes forradas de livros. As tábuas largas do assoalho – muitas delas originais – acabaram sendo lixadas e limpas, um tratamento popular executado em casas escandinavas, que foram pintadas de um cinza suave que se aproxima do visual.

Enquanto muitas pessoas tentam expandir as dimensões de uma sala, enchendo-a de pequenos móveis e objetos, Frank acha que isso faz com que a sala pareça “tímida e controlada”. Segundo o designer, objetos ou móveis de dimensões avantajadas ou um grande grupo de pinturas chama a atenção e desvia o olhar para o que é atraente. Por isso, ele aconselha incluir “pelo menos um objeto ou móvel que produza excesso, até mesmo algo exagerado, como uma grande escultura, um imenso busto ou ainda uma parede ou várias paredes cheias de estantes do chão ao teto.” A casa de Frank Faulkner inclui essas dicas e ele convive com grandes peças, que cohabitam entre poltronas oversize, baús e bustos de gesso vintage, tudo harmoniosamente aglomerado em todos os recantos.

“Gosto de espaços limpos e vazios, se as proporções forem atraentes e a iluminação perfeita, mas uma sala sem nenhum supérfluo, para mim, não é minimalista”, diz Frank, “é apenas um espaço vazio.” Em sua casa atual, que é relativamente pequena, o designer preencheu as paredes com espelhos de moldura dourada e uma mistura complexa de pinturas, desenhos, fotografias e gravuras. Além disso, estantes são embaladas até o teto com livros, mesas de apoio e lareiras são cobertas com uma mistura fascinante de figuras, objetos, bibelôs, urnas e luminárias. As camadas de coisas adicionam uma sensação de abundância e o efeito geral é convidativo e acolhedor. “Cada espaço da casa é como um gabinete de curiosidades, funcionando como um atrativo que desvia o olhar para que o visitante possa apreciar tudo ao redor. E, em lugar de parecer um ambiente sobrecarregado, isso faz com que a sala pareça maior, na verdade” atesta o designer de interiores.

Para a sala de jantar, ele usou a tonalidade “Chão de floresta” de Benjamin Moore, um azul-acinzentado calmante que ele diz ter escolhido depois de assistir muitos episódios da série “Downton Abbey”. Colecionador inveterado, quando Frank visita lojas de antiguidades ou os mercados de pulgas, ele não leva consigo uma lista rígida do que quer encontrar e simplesmente se entrega à ideia de encontrar artefatos bonitos ou interessantes. Suas posses incluem raridades encontradas ao lado da estradas, em latas de lixo e em lojas de antiguidades de alta qualidade. “Eu amo objetos bonitos. Alguns são muito finos, outros foram presentes de amigos criativos com olhos maravilhosos e muitos deles são apenas lixo interessante,” confessa.

Embora existam muitos objetos em cada sala, eles são unidos pelo que Frank chama de uma espécie de clareza. “Todas as minhas coisas se harmonizam porque se baseiam em um tipo de aparência clássica e simétrica.” A simetria de objetos individuais se estende aos agrupamentos de arte nas paredes e objetos em superfícies, junto com os arranjos de móveis. “Simetria é tudo o que amo”, diz ele, “acho muito calmante, reconfortante e estabilizante.” Para promover essa sensação de calma e manter as salas ricamente em camadas sem estarem apinhadas, Frank fica longe do padrão. Com exceção da ocasional faixa em tecido indiano, a arte e os objetos são o discurso de sua decoração de interiores. A mobília, uma mistura de peças simples e extravagantes, oferece um contraste marcante à mistura eclética com as capas brancas de algodão.

Frank transformou um baú de mogno, destinado ao camarim de um homem, pintando-o de branco. “Não suporto móveis chatos e marrons. A menos que seja realmente valioso, costumo repintá-los e isso faz com que eles pareçam atuais. Dada a sua história com imóveis, resta saber se esta casa é de fato a última moradia de Frank e ele retruca dizendo que “cada vez que comprei uma casa pensei que fosse envelhecer nela, insiste, mas até agora, isso não aconteceu.” Enquanto ele fala sobre as maravilhas de sua casa, parece que um compromisso pode ser uma possibilidade real desta vez. “Nós apenas amamos esta casa, amamos o conforto desse espaço, sentar perto da lareira com nossos coquetéis, também amamos nossos vizinhos e nossos gatos. Para nós todo dia é um dia perfeito neste lar doce lar…”

TRADUÇÃO & EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges
REPORTAGEM – Deb Schwartz
IMAGEM – Pernille Loof

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