Telas gigantes

1 de Novembro de 2019

O mundo das Belas Artes está sendo constantemente questionado à abraçar novas disciplinas, tanto por causa das novas tecnologias e seus novos médiuns, quanto pela inesgotável invenção artística. Confirmando essa tendência, o evento Fine Arts, salão especializado que acontece de 13 a 17 de novembro, no Carrossel do Louvre, em Paris, tem entre seus convidados um novo expoente das artes, Andrea Ravo Mattoni. O artista ítalo-suíço, especialista em arte urbana, se tornou conhecido recopiando obras-primas dos mestres do passado em tamanhos gigantes, valendo-se das técnicas contemporâneas. Mattoni fará uma performance na quinta-feira, 14 de Novembro, reconstituindo uma tela de 4m x 3m a partir de uma obra de Luca Giordano, que será inaugurada durante uma exposição no Petit Palais ao mesmo tempo.

Andrea Ravo Mattoni se apropria dos muros e grandes fachadas das cidades para registrar as obras primas das pinturas clássicas dos mestres Caravaggio, Tanzio da Varallo, Velazquez, George de la Tour, Giulio Cesare Procaccini, Scipione Pulzone, Rubens, Delacroix, Gerrit Van Honthorst em tamanho gigantes. Filho de uma longa linhagem de criativos, seu pai era um artista comportamental especializado em artes conceituais, seu avô era pintor e seu tio ilustrador. Mattoni decidiu em 1995 seguir seu próprio caminho, começando a pintar grafites com a assinatura de Ravo. Auto-motivado, o artista conta que aprendeu a grafitar nas ruas e, na maioria das vezes, praticou essa arte de forma legal “e ilegalmente na segunda metade dos anos 90, quando fui estudar na Academia de Belas Artes de Brera, em 2003,” onde estudou pintura clássica e técnicas de óleo e acrílico. Sua paixão pela arte clássica tornou-se sua especialidade e, graças ao seu talento, Matonni consegue reunir dois mundos, recriando e perpetuando a tradição da cópia dos grandes mestres do passado de maneira contemporânea. Essa técnica que se vale dos muros como suporte artístico deu origem ao projeto “Recuperação do classicismo no contemporâneo”, onde o artista estabelece parcerias, correlacionando sua arte em moldes gigantes com o território e os museus locais.

“Meu modus operandi é muito metódico, levo em consideração a proposta artística do local ou do muro que será pintado, em seguida procuro os museus do território, pesquiso quais artistas viveram ou nasceram neste país, depois avalio o trabalho a ser desenvolvido no espaço escolhido. O tamanho do muro ou parede é um aspecto muito importante para que eu possa estimar a quadratura que vai ser utilizada e selecionar o assunto, depois de começar a pulverizar a superfície…” Com uma linha do projeto bem estruturada, Mattoni se beneficia da acolhida da comunidade e das autoridades locais para pincelar sua arte. “Todas as paredes me são propostas, não sou eu quem as procura, faço uma obra de arte pública com a arte contemporânea e sempre há um cliente por trás desse processo criativo”, confirma o artista, que se diz interessado em expandir suas intervenções artísticas para o vídeo e a fotografia. “Além disso, tenho muitos planos para o futuro, durante quase todo o ano de 2020 estarei muito na França na Itália e um pouco em toda a Europa, além de algumas paradas para o mundo…” Quando questionado sobre quais artistas o inspiraram na sua vida, ele hesita por um momento, e escolhe citar três nomes: Moebius, Velazquez e Francis Bacon.

EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

IMAGEM – Cortesia do artista © Andrea Ravo Mattoni, Tanzio da Varallo, Davide con la testa di Golia, 2017, spray su muro, Varallo Sesia © Andrea Ravo Mattoni, Gerrit Van Honthorst, The happy violinist, 2018, spray sumuro indoor, Varese progetto Substrato © Andrea Ravo Mattoni, Velazquez, Trionfo di Bacco, 2018, spray su muro, Oviedo © Andrea Ravo Mattoni, Rubens, van Eyck, Pieter Bruegel il Vecchio, Due Satiri, Uomo con turbante rosso, La caduta degli angeli ribelli, 2018, spray su muro, Bruxelles © Andrea Ravo Mattoni, Delacroix, Orfanella al cimitero, 2018, spray su muro, Parigi Le Mur © Todos os direitos reservados

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