Gabinete de Desenhos Contemporâneos

17 de Março de 2019

“DDESSINPARIS extrapola o evento em si, esse é um trabalho permanente que requer um investimento de energia considerável, é uma missão que dirijo com a esperança de criar um lugar de trocas criativas com um espírito de qualidade acolhedor e amigável”, confessa Ève de Medeiros, Fundadora e Diretora Artística do Gabinete de Desenhos Contemporâneos. “Nesse contexto, meu trabalho é diário, à medida que as ideias surgem, e plural visto que cada ação deve ser associada e validada com as novas oportunidades que surgem, que deve beneficiar tanto os artistas quanto os galeristas. ”

Correspondance Magazine® conversou com exclusividade com Ève de Medeiros, Fundadora e Diretora Artística do Gabinete de Desenhos Contemporâneos – DDESSINPARIS – que festeja neste ano sua 7ª edição entre os dias 29 e 31 de Março. O evento, que conta com vinte expositores franceses e estrangeiros, tem um time de peso formado por colecionadores, artistas renomados em suas respectivas áreas, críticos de arte, que compõem os membros do júri dirigido por Ronan Grossiat, consultor de gestão e colecionador; Giulia Andreani, pintora; Boris Bergmann, escritor; Chris Cyrille, jornalista e curador; Yvon Lambert, colecionador, editor e ex-galerista; Magali Lesauvage, jornalista e crítica de arte; Marie-Ange Moulonguet, colecionadora; Marisol Rodriguez, escritor, editor e curador; Colette Tornier, colecionador.

A visão do Gabinete de Desenhos Contemporâneos mudou desde que você o criou?

– O Gabinete de Desenhos Contemporâneos foi iniciado em 2013 com o intuito de estabelecer um espaço para o desenho contemporâneo; nessa época, o desenho não era tão visível nas galerias e queríamos chamar a atenção para um meio que desempenha um papel crucial em práticas artísticas muito diversas. No início de DDESSINPARIS, incluímos apenas o desenho contemporâneo mas nossa proposta evoluiu graças à prática dos artistas e o quanto eles se interessam ​​em expressar, através de suas criações, o momento histórico ou cenas de vida que experienciaram. Esse olhar artístico transversal se tornou importante para nosso programa, que tem como prioridade não seguir tendências.

Qual o posicionamento artístico de DDESSINPARIS?

– Queríamos criar um espaço para explorar novas ideias sobre o desenho contemporâneo. DDESSINPARIS tem como princípio colocar em evidência os desenhistas-artitas talentosos, pessoas de expressão ousada que investem sua energia em benefício de temas globais e, em torno dos quais, o desenho contemporâneo toma forma. Por isso, sempre estamos à postos para descobrir novas formas de individualidade gráfica e abordagens que refletem questões importantes do mundo de hoje.

Quais os grandes momentos que vão marcar esta 7ª edição do DDESSINPARIS?

– Vamos exibir o trabalho da artista Isabelle Levenez, que foi a ganhadora do Prêmio DDESSINPARIS do ano passado, e que é representada pela H Galeria. Temos uma exposição-venda de caridade, cujo benefício será revertido para uma associação de proteção de mamíferos marinhos patrocinada por Jean-Marc Barr, ator emblemático do filme “O grande azul”, que trabalha incansavelmente pela proteção do meio ambiente. Para esta 7ª edição do DDESSINPARIS, tenho o prazer de receber Véronique Clavière-Schiele e Anne-Laure Koubbi dentro da equipe, que compartilham os valores e aderem plenamente à missão do evento.

De que maneira os artistas recebem a atenção que merecem no espaço desse evento?

– Seja através de solo shows, da seleção especializada de obras favoritas pelo nosso júri ou ainda através do berçário de artistas, que promove a entrada de jovens artistas na dinâmica rítmica de eventos internacionais e culturais com foco na arte contemporânea. Sob todos os ângulos, a missão de DDESSINPARIS é inventar um mundo sem fronteiras onde galeristas, artistas, colecionadores, profissionais do mundo da arte e o público em geral possam vivenciar o surgimento de uma nova expressão artística, a do desenho.

Fale-nos um pouco sobre os dois solos shows desta edição com os artistas David Supper Magnou e Sylvie Selig.

– David Supper Magnou é um artista multidisciplinar, curioso e particularmente sensível aos relatos visuais deixados pela natureza, pela história da arte e pelos eventos atuais, ele é inspirado especialmente pelos seus questionamentos. Sylvie Selig se apropria de uma narrativa complexa e viva que nos transporta para um mundo caleidoscópico, fantástico e fascinante, confrontado com desenhos frequentemente monumentais que fazem com que os visitantes mergulhem nesse universo próprio da artista.

Como se dá o processo seletivo dos artistas e obras que participam da DDESSINPARIS?

– Nós fazemos muitas visitas à estúdios, ateliês, galerias, exposições, bienais e ficamos de olho em algumas escolas e feiras de arte na França e no exterior. Mas muitas vezes acabamos por conhecer alguns artistas através do boca-a-boca, por meio de outros artistas e dos profissionais de arte.

Fale-nos um pouco sobre o Berçário dos Artistas.

– Essa é uma nova iniciativa da DDESSINPARIS, que tem como objetivo apresentar o trabalho de artistas muito jovens e, assim, destacar uma cena de design inovadora e de vanguarda. Nesta edição, o Berçário dos Artistas acolhe Agathe Toman e Amélie Barnathan.

O que uma galeria precisa fazer para ser aclamada pela crítica?

– Muito trabalho duro, conhecimento da história recente da arte e da prática contemporânea, uma mente aberta, boas conexões com artistas e outros profissionais, além de aposta rem qualidade artística.

Qual a sua opinião sobre as transições da paisagem artística desde que DDESSINPARIS foi criado em 2013?

– Existe mais oportunidades para certos artistas em algumas grandes galerias comerciais que dominam a cena e, embora haja muita concorrência há, sobretudo, muitas oportunidades on-line em plataformas especializadas, onde os artistas podem criar perfis, apresentar seus trabalhos e exibi-los para a venda, afinal, isso é crucial. Nada pode ser mais estimulante para um artista que ficar de frente a frente com seus desenhos expostos numa galeria ou numa sala de estar.

O que o desenho significa para você?

– O desenho é, acima de tudo, uma forma de arte íntima e reveladora.

EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

IMAGEM – Cortesia © DDESSINPARIS

PORTRAIT Ève de Medeiros © Estera Tajber

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