Matthieu Salvaing

19 de dezembro de 2020

Ele viaja por todos os Continentes, pelos interiores de palácios, pelas casas de personalidades do showbizz, capturando o espírito dos lugares. Suas viagens fotográficas são tanto físicas quanto espirituais. Ele se movimenta de acordo com a luz, procurando os contrastes das sombras, se estasiando com a beleza das paisagens ou com uma peça de arte, do design de um móvel aos projetos arquitetônicos e o sorriso de um dos seus personagens. Com projetos tão vastos quanto diversificados, Matthieu Salvaing é um caçador de imagens, dos ângulos perfeitos, um expert em captar a emoção de uma paisagem para embelir as páginas de várias revistas, livros e publicações internacionais. Suas fotografias tem o formato do seu olhar aguçado e penetrante. Um recanto, uma sombra, um detalhe e a magia do clique opera, resgatando o momento para sempre. Viajante inveterado, Matthieu Salvaing se dedica à arte de se deslocar para melhor exercer um dos seus maiores talentos: a arte de fotografar. Para falar da sua mais recente publicação “Interior Voyages”, em tradução livre, Viagens Interiores, publicado pela editora Rizzoli, o fotógrafo francês concedeu essa entrevista exclusiva para o Correspondance Magazine®, diretamente da Etiópia, onde estava clicando um novo projeto e nos confiou que vai lançar brevemente uma publicação sobre a juventude criativa brasileira.

Você poderia apresentar sua última publicação “Interior Voyages” aos nossos leitores?

– É um projeto que aposta na identidade, na cultura e na diversidade pelo prisma íntimo, como um olhar confidencial de uma casa. Meu desejo com “Interior Voyages” é o de partilhar histórias, sensibilidades e imaginários, que vislumbrei ao fotografar essas residências incríveis.

Como este projeto foi iniciado?

– A possibilidade de trabalhar viajando pelo mundo me permitiu fotografar todas estas casas, todos estes projetos e, de fato, a ideia desse livro era seguir um outro caminho, contra a corrente de normalização, devido à globalização, e mostrar locais atípicos, únicos em sua identidade e com personalidade fortes, a fim de que o leitor possa mergulhar na história desses interiores.

Houve um momento crucial em que você decidiu seguir a carreira de fotógrafo?

– Ainda muito jovem conheci o arquiteto humanista Oscar Niemeyer. Esse encontro desencadeou meu gosto pelo qua arquitetura do humano, que gosto de capturar na fotografia. Outro projeto que me levou a me consagrar à fotografia foi uma reportagem especial sobre a Argentina para a Vogue Paris. Minha missão era filmar Buenos Aires à noite, tinha um antes e um depois desse assunto, que me permitia tirar fotos da vida, da cidade, sob uma ótica humana.

Como você compõe suas criações fotográficas e o seu estilo?

– Viajando, conhecendo lugares, espaços, culturas de todo o mundo para capturar esse sentimento que tenho ao visualizar algo interessante. Gosto de absorver as atmosferas. Quanto ao estilo, o meu mundo é muito vivo e colorido, acredito que desenvolvi um certo gosto pelo cinema nos meus enquadramentos.

Você tem uma rotina diária de trabalho durante uma viagem?

– Gosto de ter uma visão do dia e preparo tecnicamente as fotos bem cedo, ainda pela manhã, para que minhas fotografias fiquem o mais próximo possível do espírito das imagens finais. Gosto de pensar de que forma tratarei o assunto e crio até mesmo um roteiro de uma cidade para poder, uma vez no local, e ao longo dos encontros, fazer imagens de pessoas, ruas para poder captar o que me inspira mais intuitivamente.

Há uma certa preparação artística para o antes e o depois das suas fotos? E qual é o lugar da improvisação durante o processo?

– Acho que a preparação é de 50/50. Depois dos ângulos, surgem os enquadramentos. Claro que a preparação e os locais são importantes principalmente para a decoração de interiores em se tratando de colocar em evidência um estilo. No final, os detalhes podem dar dicas que podem ser boas ou não.

Existem outras áreas artísticas que você gostaria de experimentar?

– Pintura, desenho, vídeo, cinema… Para um futuro projeto editorial, comecei a retrabalhar minhas imagens, a revisitá-las através da pintura dando-lhes uma nova leitura.

O seu portfólio é bem variado, por qual parte do seu trabalho você gostaria de ser lembrado? Por quê?

– Não é tanto uma obra em particular, mas sim o espírito com que encaro meu trabalho em geral. Sempre subscrevo o espírito íntimo da fotografia. Tento constantemente torná-la humana, viva, até carnal para imprimir um olhar diferente sobre a arquitetura de interiores e as viagens.

Qual o destino que você ainda não conheceu e para o qual gostaria de ir?

– Etiópia! De onde estou agora escrevendo para você. Aqui cada dia é uma descoberta extraordinária e os dias depois de amanhã de manhã.

O que a fotografia significa para você?

– Visão, sonhos, humanidade, curiosidade.

Quais artistas, fotógrafos, personalidades inspiram você?

– Philip-Lorca diCorcia, René Burri, Bruce Weber, Steeve Mac Curry.

Você tem algum projeto futuro que possa nos contar?

– Estou trabalhando em um projeto de livro sobre arquitetura libanesa há um tempo, e estou planejando uma outra publicação sobre a juventude criativa brasileira e, como parte de uma comanda, estarei trabalhando em breve na cidade antiga de Jeddah, classificada como Patrimônio Mundial da Unesco.

Qual o seu maior sonho como fotógrafo?

–  Encontrar charme, personalidade, amor, paixão, medo e força em cada esquina…

TEXTO – Marilane Borges 

IMAGEM – Cortesia do fotógrafo Matthieu Salvaing e da editora Rizzoli © Todos os direitos reservados

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