Os jardins de Monet

29 de Setembro de 2019

“O jardim de Monet conta como uma das suas obras, realizando o charme de uma adaptação da natureza aos trabalhos do pintor da luminosidade. O prolongamento de um atelier em plena natureza com palhetas de cores em profusão, uma verdadeira ginástica para o olhar… ”, confessou seu amigo Georges Clemenceau. O museu Gemeentemuseum, na Holanda, apresenta a partir de 12 de outubro  até Fevereiro de 2020 a exposição intitulada “Pinturas de Jardins” com as telas de Claude Monet datadas do período de 1900 a 1926 e produzidas em seus próprios jardins na sua propriedade em Giverny, nos arredores de Paris. O interesse de Monet pelos jardins era antigo. Antes mesmo de habitar Giverny, os jardins já eram uma inspiração para suas pinturas, em sua residência em Argenteuil. Na primavera de 1872, ele pinta dois motivos de flores lilás mas com iluminação diferente, uma com o tempo cinza e outra com o tempo ensolarado; até mesmo em Paris, os jardins públicos serviam de inspiração, como os das Tulherias e o Parque Monceau. Foi em Giverny que Monet pode se entregar a essa arte, afinal, era sua residência. De simples jardim, ele vai progressivamente compor um espaço de pintura, um verdadeiro ateliê à céu aberto. Assim que Monet adquire Giverny, a grande área verde que ocupa todo o terreno em frente a casa é transformada em trilhas que atravessam essa verdura, o chamado Clos Normand, retangular, com arcos de trepadeiras que leva o visitante até a entrada principal da casa que também dá acesso ao caminho do Roy, a rota que perfaz toda a propriedade.

Com o tempo, Claude Monet retratou os jardins em um estilo cada vez mais abstrato. Muitos historiadores da arte atribuíram erroneamente essa mudança estilística à falta de visão. Mas, na verdade, Monet – no auge de sua carreira – ainda estava explorando novas fronteiras artísticas, que mais tarde tiveram um grande impacto em artistas como Rothko e Pollock. O pintor decide fazer do pomar um jardim de flores sem chamar um arquiteto-paisagista; ele, que ama os jardins naturais, dizia ter horror às criações desenhadas regularmente e escolhe pessoalmente suas plantas, algumas selecionadas na França e muitas vindas da Inglaterra. As ninféias são um capítulo à parte na história de vida do pintor, que investiu e dedicou seu tempo a cultivá-las nos jardins aquáticos e depois as eternizou em suas pinturas. Ele relata em seu diário: “levei um certo tempo para entender as ninféias. Eu as cultivava sem imaginar que um dia poderia pintá-las, afinal, uma paisagem não nos impregna assim tão rápido, foi então que tive a revelação das fadas do jardim das águas… Peguei meu pincel e depois disso meu modelo predileto continuou sendo essas ninféias”.

 

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