Viajante extraordinária

17 de junho de 2021

No prefácio, uma foto de Francisca Mattéoli com seus pais, ainda no Chile, dá o tom do livro Voyages Extraordinaires, em tradução livre para o português de “Viagens Extraordinárias”, lançado pelo Atelier EXB e produzido pelas Edições Louis Vuitton. Esse livro é uma sequência do “Escalas ao redor do mundo” e trata-se de uma compilação de histórias de viagens, arquivos fotográficos e antigos pôsteres de publicidade da Louis Vuitton, que se mistura às memórias pessoais da própria escritora. O grande diferencial dessa publicação, que conta com 400 fotografias, documentos históricos e vários portfólios de artes gráficas, é que Francisca se baseou no seu ADN de viajante, herdado da sua família chilena e escocesa, para encantar os leitores com uma coletânea de mémórias visuais e sentimentais.

Escritora, especializada em viagens, Francisca Mattéoli conversou com exclusividade com Correspondance Magazine® para falar dessas histórias extraordinárias, nos fazendo sonhar com aventuras à bordo de zepelins, dos barcos à vapor e dos lendários trens que cruzam infindáveis ​​estepes e pradarias aos novos meios de locomoção do início do último século. Ler Voyages Extraordinaires é como comprar um bilhete para belos destinos e apreciar uma experiência de imersão através de cerca de cinquenta excursões, que começam em meados do século XIX até os dias atuais. A alma de viajante da escritora está presente em cada página dessa publicação que faz sonhar com viagens inesquecíveis ao redor do mundo.

Houve um motivo específico pelo qual você decidiu contar a história desses destinos icônicos?

– Acredito que todos nós precisamos nos afastar de tudo e ficar maravilhados ao visitar um novo lugar. Descobrir coisas novas é exclusivo do ser humano e eu queria celebrar essa ideia de desafio e de grandes conquistas que nos ultrapassam de alguma maneira. As fotos que estão no livro são lindas e fui inspirada por elas para escrever histórias que eu mesma vivi enquanto trabalhava para a National Geographic ou saía livremente, visitando países que me interessavam de uma maneira particular. Quando meu marido criou sua associação humanitária, por exemplo, vivi um tipo diferente de jornada e a localização dessas associações também me inspiraram a contar aventuras extraordinárias. Todos os destinos e as histórias do meu livro proporcionaram-me uma escapadela fabulosa.

Existe alguma personalidade que a influenciou a escrever “Voyages Extraordinaires”? Como e por quê ?

– Meus pais, porque viveram uma vida de grandes aventureiros elegantes, sempre curiosos sobre o que o mundo teria a lhes oferecer. Minha mãe Escocesa e meu pai Chileno viajaram por todo o mundo e me mostraram que uma viagem pode assumir milhares de formas e ser recompensadora de centenas de maneiras, porque eles sempre estiveram abertos a tudo ao seu redor. Suas histórias e os incríveis álbuns de fotos que fizeram são uma fonte constante de inspiração para mim.

De que maneira você, como uma escritora especializada em viagens, aborda suas pesquisas de assunto? Qual é a parte da preparação e de prospecção prévia, qual é o lugar da improvisação?

– Sou muito organizada no meu trabalho, porque ser escritor de viagens é também e acima de tudo um verdadeiro trabalho. Mesmo que não pareça e as pessoas duvidem. Viajo também sem nenhum compromisso, para desbravar ou redescobrir lugares que gosto e, ao mesmo tempo, penso nas histórias que vão me inspirar. Faço muitas anotações manuscritas em cadernos e, em seguida, as classifico de acordo com o tópico que desejo cobrir, quando tudo fica claro em minha mente, começo a escrever, deixando minha imaginação correr livremente para compor histórias fluidas e fáceis de ler. Adoro quando os leitores me acompanham na narrativa e, para que isso aconteça, a história tem que ser como um rio que flui de forma natural e onde o esforço que esse trabalho custou se torna quase imperceptível.

Conte-nos um pouco sobre como você se preparou para escrever este livro na era pré e pós-COVID. Como você se organizou para finalizá-lo?

– Felizmente, já havia percorrido um longo caminho antes do período da pandemia. Obviamente foi um desafio terminar o livro nessa época, com tudo acontecendo e todos os planos sendo cancelados, mas acabou acontecendo. É um pequeno milagre termos conseguido publicar este livro!

Como você se sentiu quando soube que as fronteiras estavam fechando com a propagação da pandemia?

– Primeiro pensei em meus amigos e família ao redor do mundo, esperando que nada de ruim acontecesse com eles. Então me perguntei se teria que encontrar um novo emprego!

Como você vê o seu dia a dia de trabalho?

– Sou muito organizada e começo meu dia cedo, fazendo uma caminhada pelo meu bairro para me preparar para sentar por longas horas. Muitas vezes tenho na cabeça a história que quero escrever e a descrevo como um conto, com começo, meio e fim. Também gosto de colocar um pouco de suspense nisso para que seja realmente uma história na qual os leitores vão mergulhar na imaginação. Como muito pouco e volto a trabalhar algumas horas à tarde. À noite, penso na próxima história que escreverei na manhã seguinte e assim por diante. Vejo meu trabalho como uma espécie de maratona. Muitas vezes fico exausta após um dia de trabalho. Sinto-me como um atleta que participou de uma corrida de obstáculos.

Qual é a sua rotina diária ao trabalhar durante as viagens?

– Faço anotações e fotos para lembrar dos detalhes que me marcaram ao longo dos dias, mas também procuro aproveitar o momento e estar no presente sem necessariamente trabalhar o tempo todo. Esforço-me para estar disponível para o que está por vir na minha vida e, mais ainda, quando viajo, para experimentar cada momento de forma espontânea, olhando verdadeiramente para o mundo ao meu redor, estando aberta para encontrar pessoas e tudo o que pode acontecer de extraordinário à partir desses encontros.

Se você pudesse viajar para um destino que ainda não conheceu, qual escolheria?

– Essa é uma pergunta muito difícil! Acho que nunca poderia dar uma única resposta. Tudo o que não sei me interessa e estou sempre entusiasmada em descobrir novos lugares.

Como você definiria a arte de viajar em 140 caracteres ou menos?

– Um sentimento de harmonia, humildade e curiosidade pelas belezas do mundo que nos rodeia.

Quais viajantes frequentes inspiram você?

– Os heróis da Aéropostale, que abriram caminhos desconhecidos, fizeram descobertas que pareciam impossíveis em sua época. Adoro desafios e a ideia de que tudo pode ser feito com força de vontade e alma de sonhador me fascina.

Você tem algum projeto futuro que possa nos contar? Ou alguns projetos iniciados que você terminará em breve…

– Ainda estou trabalhando em muitas coisas na minha cabeça. Talvez uma história de família, ou algum conto… Nunca sei aonde minha imaginação vai me levar.

Como viajante profissional, você sonha com o quê neste momento?

– Em partir o mais rápido possível para rever os países que amo. Ir ao Brasil, por exemplo. Tenho sonhado em tomar uma caipirinha no Rio com meus amigos cariocas!

EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

PORTRAIT – Francisca Matteoli. Paris, le 20 janvier 2021 © Julio Piatti

IMAGEM – Cortesia da Louis Vuitton Editions e Atelier EXB © Todos os direitos reservados

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