Jardins

28 de Março de 2017

É com este título simples, curto e breve que se esconde uma profusão extraordinária de obras artísticas que fazem referência aos jardins. A exposição “Jardins”, em cartaz no Grand Palais, até 24 de julho, pode ser apreciada como um passeio em torno de mais de 300 obras primas entre pinturas, esculturas, planos de jardim, fotografias, onde o visitante é envolvido de surpresa em surpresa, como num verdadeiro jardim, descobrindo um beco, uma fonte, uma perspectiva, um canteiro de flores ou ainda arbustos habilmente esculpidos.

Fonte de inspiração, meditação ou descanso para muitos artistas, Henri Matisse escreveu “Eu criei um pequeno jardim onde posso passear…” Enquanto Claude Monet, que tem várias de suas pinturas expostas, como as famosas “Nymphéas” e “Le Déjeuner”, dizia que “Talvez eu deva as flores o fato de ter me tornado um pintor”, e é de conhecimento público que o próprio Monet cultivou seu jardim, fonte inesgotável de inspiração, em sua casa-estúdio em Giverny. Outro artista, Pierre Bonnard, pintou durante toda a sua vida os jardins, começando com o “Bosquet”, sua villa nas colinas de Cannes.

A originalidade dessa exposição está no fato do visitante poder admirar, num único espaço, pinturas extraordinárias como a mais bela tela de Fragonard, “La fête à Saint-Cloud”, especialmente emprestada pelo Banque de France, “Le Parc”, de Klimt, que veio do MoMa, de Nova York,e  faz companhia a tela “Les Marguerites” de Caillebotte. Mais ao longe, as aquarelas de Dürer interagem com outras pinturas de Paul Cézanne. A mostra “Jardins” é uma oportunidade para homenagear os “paisagistas” uma palavra inventada no século XVIII para designar esses artistas-jardineiros bem representados pelo pintor flamengo Émile Claus com “Le Vieux Jardinier”, instalado em uma sala onde uma bela coleção de ferramentas de jardinagem reina absoluta.

A boutique do Grand Palais expõe criações exclusivas do artista francês Marin Montagut, que se inspirou do seu amor por Paris para desenhar três lenços de seda que representam três de seus jardins parisienses favoritos: o Jardim das Tulherias, o Jardim do Luxemburgo e o Jardim das Plantas. O artista também decorou porcelanas, pratos, copos, tigelas com lindas imagens de flores, animais e as icônicas cadeiras parisienses dos jardins públicos. Além dessa coleção especial, há uma rica variedade de objetos decorativos como jogos americanos, aventais, ferramentas de jardinagem, flores em vidro e poéticas joias, além de diversas publicações que tratam sobre o tema dos jardins, incluindo o magnífico livro escrito por Roberto Silva e lançado pela editora Thames & Hudson sobre os “Novos jardins brasileiros – O legado de Burle Marx”.

TEXTO – Chantal Manoncourt

IMAGEM – Cover © Yann Monel – Cenografia © Rmn-Grand Palais por Didier Plowy – Tela de Gustave Klimt © 2017. Digital image, The Museum of Modern Art, New York / Scala, Florence

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