A história de um Castelo

5 de novembro de 2021

Chegamos ao vilarejo de Cour-Cheverny sob a bruma outonal e pouco à pouco o sol começou a nos aquecer, revelando a verdura dos grandes bosques e dos gramados que circundam o Castelo de Chiverny, situado do outro lado da rua onde se encontra a Prefeitura e a igreja do vilarejo. A história desse castelo é impressionante em todos os sentidos, primeiro porque os domínios sempre pertenceram à mesma família, os Herault, há mais de 700 anos e foi aberto à visitação desde 1922. Herdeiros de seis séculos dessa história familiar, o Marquês Charles-Antoine de Vibraye e sua esposa, a Marquise Marquise Constance de Vibraye, trabalham incansavelmente para garantir a preservação e valorização do castelo, jardins, parque, canil e do Museu Tintim, famoso personagem em quadrinhos do desenhista belga Hervé.

A entrada principal controlada por uma bilheteria não é atraente mas, à medida que avançamos a arquitetura clássica do Castelo de Cheverny, que se concentra em um único edifício, rodeado por dois edifícios principais, eles próprios enquadrados por pavilhões angulares, atrai imediatamente todos os olhares. Sua fachada clara possui doze esculturas representando os bustos dos imperadores romanos e, na sua entrada, a escadaria de estilo Luís XIII é reta com patamares, quebrando a tradição das escadas em espiral.

Outro detalhe que chama a atenção é que o Castelo de Cheverny é um dos mais bem decorados da região. Passear pelos seus corredores e aposentos é como visitar a residência de uma família nobre com suas paredes cobertas de tapeçarias, inclusive, uma tapeçaria Gobelins e cinco Tapeçarias Flamengas, além de armas, armaduras antigas, retratos de personalidades históricas exibidos nas paredes e uma lareira da época da Renascença. Os salões do térreo têm mobiliário de época e são ricamente decorados. Durante nossa visita a grande mesa de uma das salas de jantar estava ornamentada com as cores e a temática dos eventos de outono.

De todos os ângulos, o Castelo de Cheverny é um presente visual. Para quem aprecia a natureza, o castelo tem jardins decorativos e frutíferos, além de uma horta, onde variedades vegetais e flores em abundância se harmonizam criando uma palheta de cores, aromas e cheiros que se transformam o ano inteiro. Como o do jardim em estilo francês, Le Jardin des Apprentis (Jardim dos Aprendizes)  que está localizado entre o castelo e o laranjal. Esse espaço foi redesenhado como um jardim de lazer que abre uma bela perspectiva sobre a fachada principal do castelo e do parque. É um lugar romântico, circundado de árvores frutíferas em pleno crescimento. Para quem deseja fazer uma pausa gourmet, o Café de l’Orangerie, a poucos passos de distância, tem um cardápio leve e variado de guloseimas.

O parque e a floresta do Castelo de Cheverny, que ocupa uma área de vários hectares, é um dos lugares mais arborizados e ideal para uma caminhada ou até mesmo para fazer um passeio em um pequeno barco, que navega pelos dos braços dos dois rios que circundam a propriedade. Esse passeio romântico, que tem um calendário anual estabelecido, é um convite para mergulhar, literalmente, na bucólica vegetação que muda de cores de acordo com a estação do ano e acolhe animais que vem bebericar nas suas margens.

Reportagem Especial Correspondance Magazine®

TEXTO & EDIÇÃO – Marilane Borges

IMAGEM – Clicadas pelo fotógrafo Christian Nouzillet © Todos os direitos reservados

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