Experiências visuais

19 de fevereiro de 2020

“Tendo desfrutado de muitas horas desenhando e pintando diretamente da natureza e de modelos vivos, todas as minhas pinturas se originam dessa experiência”, diz Annabel Andrews. O trabalho da artista britânica Annabel Andrews, nascida no Reino Unido, oscila entre figurativo e abstrato – o último sendo mais aparente. Embora a cor seja uma das características mais importantes das suas criações, ao longo dos anos surgiram muitas possibilidades diferentes, envolvendo experimentações, cores e formas, como durantes os anos em que a artista trabalhou com preto e branco, retratando gelo e fontes vistas no mosteiro de El Escorial, cidade perto de Madri, onde vive e trabalha.

Suas influências, diz Andrews, vêm principalmente de suas amizades com o artista expressionista abstrato José Guerrero e o artista construtivista Pablo Palazuelo, os quais “desencadearam uma nova aventura pictórica” ​​para ela. Depois de estudar as técnicas dos mestres, ela prepara suas própria telas com base de cola de caseína caseira e branco de zinco, o que confere ao trabalho um acabamento leve e luminoso para aplicação posterior de cores acrílicas em várias camadas.

Annabel Andrews começou a pintar e desenhar desde muito jovem. A artista obteve um certificado de honra da The Royal Drawing Society, de Londres, e, até hoje, continua seus estudos em academias particulares e oficinas municipais em Las Palmas de Gran Canaria e no Circulo de Bellas Artes de Madri, na Espanha, aperfeiçoando as técnicas de gravura e litografia. Seus trabalhos foram exibidos em importantes galerias de Madri, também em centros culturais da Espanha, e ela recebeu vários prêmios. Suas pinturas e colagens fazem parte de coleções particulares na Espanha, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Itália, Alemanha, Bélgica e Ilhas Canárias.

Como você descreveria seu trabalho para um estranho?

– Primeiro, pedindo a esse ‘estranho’ que me descreva o que ele ou ela sente. Então, estabeleceria uma conversa, esperando chegar a um entendimento interessante para nós dois. Acho que as crianças são maravilhosas para serem ouvidas, porque elas têm mentes abertas e desfrutam de cores vivas, sem elaborar análises abstratas dizem apenas o que pensam.

Como se manifestaram seus primeiros experimentos artísticos?

– Ser criança durante a guerra na Ilha de Wight significava que não havia muitos brinquedos. Sempre fiquei fascinada com as cores brilhantes das flores, colocando-as entre papel e prensas até que estivessem secas o suficiente para grudar no meu álbum. Mais tarde na escola, minha matéria favorita era botânica e as ilustrações que fizemos com aquarelas, depois de separar as plantas e examinar todas as suas formas estranhas.

Quais sentimentos você tem quando cria e como se sente quando não cria?

– Se a pintura está indo bem, o sentimento é estimulante, positivo e agradável, mas, quando fica muito difícil, vou trabalhar no jardim, andar na floresta ou encontrar amigos para um café e conversar no vilarejo onde moro na Espanha, San Lorenzo de El Escorial.

Se algum dos nossos leitores comprasse uma das suas obras de arte hoje, o que você diria sobre o seu trabalho?

– Explicaria que a pintura é minimalista, construtivismo de cores principalmente geométrico, trabalhado em telas de algodão de pato preparadas por mim com cola de caseína e pigmento branco de zinco. Isso torna as cores brilhantes. Parte do trabalho não é completamente abstrata.

O que significam os títulos das suas telas?

– Os números são apenas para referência. As pinturas são nomeadas em relação aos objetos que vi com suas formas e cores, usadas de maneira abstrata para refletir suas características relevantes, não totalmente desapegadas das imagens perceptivas, mas as formas puras têm propriedades próprias.

Onde você se encaixa e a quem você acha que pertence no mundo das artes?

– Os artistas que mais me influenciaram são José Guerrero e Pablo Palazuelo, que também eram meus amigos em Madri. José Guerrero havia retornado recentemente à Espanha, onde fazia parte da escola de Expressionismo Abstrato de Nova York. Ele causou uma ótima impressão em mim, inspirando-me a experimentar o minimalismo e a abstração. Pablo Palazuelo, que era geométrico e construtivista, tinha um grupo interessante de amigos ao seu redor e é uma das pessoas que influenciou bastante o meu trabalho. As duas influências eram antagônicas, mas ambas desencadearam uma nova aventura pictórica para mim.

Como o seu trabalho se encaixa na sua trajetória de vida?

– Olhando para trás, acho que houve uma evolução natural, começando com paisagens figurativas pintadas da natureza, que gradualmente se tornaram mais abstratas e simples, embora haja momentos de experimentação que parecem seguir outras direções. Ainda gosto de desenhar diretamente da natureza e das pessoas.

Você consegue controlar para onde o seu trabalho lhe conduz?

– O trabalho me controla em permanência, pois sempre há surpresas e acidentes felizes ao longo do caminho, o que pode levar a pintura a uma direção diferente. Quando isso acontece, geralmente o trabalho pode ficar pesado e controlado demais e deve ser jogado fora. Se eu soubesse exatamente como as coisas terminariam, não haveria incentivo para continuar!

Existe um dia de trabalho típico para você?

– Com a primeira luz do amanhecer, subo silenciosamente ao estúdio, com uma xícara de chá na mão para ver o que aconteceu no dia anterior. A semi-escuridão facilita o julgamento do peso das diferentes cores e do equilíbrio da imagem. Durante o café da manhã, sou mais prática e o trabalho pode começar mais tarde. Cada dia é diferente. Na maioria dos dias eu pinto, outros precisam ser gastos preparando a tela e fazendo a cola ou apenas olhando e ponderando sobre o que está em andamento sem realmente fazer qualquer trabalho.

Quais são os aspectos menos agradáveis de ser uma artista e com os quais você ainda luta?

– Responder perguntas que traduzem experiências visuais em palavras, é quase impossível para mim.

O que podemos esperar dos seus projetos futuros?

– No momento, estou recuperando algumas das minhas técnicas antigas usando cola de caseína, pigmentos e carvão para obter um trabalho mais leve e aberto. Tendo feito colagens nos últimos meses, as coisas mudaram um pouco. Tantas coisas são possíveis de serem feitas e que precisam ser pensadas para serem simplificadas!

TRADUÇÃO & EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

IMAGEM – Cortesia da artista Annabel Andrews © 2020 Todos os direitos reservados

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