Françoise Pétrovitch

19 de janeiro de 2021

“Sempre quis desenhar”, é com essa frase categórica e cheia de auto-confiança que Françoise Pétrovitch conversou com Correspondance Magazine® para partilhar seus momentos de alegria e leveza como uma metáfora que emana das suas criações. Artista plástica francesa de ascendência eslava, Françoise Pétrovitch desenha, esculpe e modela elementos que parecem fragmentos de sonhos. Como uma narrativa onírica, olhar para seus desenhos é criar uma imagem mental, não necessariamente a que a artista imaginou, mas como se fosse possível para o espectador entrar nessa narrativa e fazer parte do enredo onde os personagens parecem étéreos, surreais e de uma fluidez indefinível.

A sensação que fica depois de observar suas criações por um tempo é que algo (talvez a intensidade do seu talento como pintora?) parece se apropriar do observador, como uma presença espiritual. Os traços de Pétrovitch são firmes, indeléveis e a artista expande sua arte com intensidade sem se deixar subjugar por uma temática específica. Talvez isso explique, em parte, o fato de que seus desenhos parecem não terem sido finalizados e, por isso mesmo, transmitem uma ideia difícil de ser conceituada, tanto na sua substância quanto na sua forma. Em parte também pelas telas super-dimensionadas e pelo contraste de leveza que elas transmitem, onde os personagens parecem flutuar, vagueando sob os olhos atentos do espectador.

Desenho, escultura, cerâmica pintura, gravura, impressão constituem o universo de pesquisa da prática artística de Françoise Pétrovitch. Artista internacionalmente reconhecida pelo domínio de todos os recursos dos processos de impressão, Pétrovitch tem sido convidada, no âmbito de uma ordem pública, a realizar gravuras com impressores de renome, para a Calcografia do Louvre, o Centro Nacional de Artes Plásticas ou o MAC/VAL. A partir do final de março até 11 de julho a artista vai expor uma série de obras inéditas na Biblioteca Nacional da França, em Paris, e no inverno deste ano vai apresentar uma retrospectiva no Fond Helene and Edouard Leclerc, centro cultural localizado na região do Finistère.

Houve um momento crucial em que você decidiu seguir sua carreira de artista?

– É um caminho bastante regular, sem gatilho específico.

Qual é a sua rotina diária quando você trabalha?

– Vou trabalhar de manhã cedo. Não existem regras ou cronogramas definidos, são os projetos que ditam os momentos de criação.

Você poderia nos contar mais sobre sua criações e seu estilo?

– Acho difícil analisar meus trabalhos 🙂

Que outras áreas artísticas lhe interessam ou gostaria de experimentar?

– Literatura e dança me alimentam. Uma arte feita de palavras e a outra de gestos, sem palavras.

Por qual parte do seu trabalho você gostaria de ser lembrado? Por quê?

– Essa é uma boa pergunta, mas estou tendo dificuldade em respondê-la porque sou muito interessada no que está por vir. Acho difícil me projetar com um trabalho que já foi feito.

Se você pudesse trabalhar em um movimento artístico do passado, qual escolheria?

– Os nabis.

Como você definiria arte em 140 caracteres ou menos?

– Arte é o que nos escapa.

Quais artistas inspiram?

– Olho muito para as pinturas antigas, principalmente do séculos 17 e 18.

Quais os seus próximos projetos, futuras exposições?

– Fui convidada pela Biblioteca Nacional da França para apresentar meu trabalho gravado na próxima primavera, é uma parte do meu trabalho que é pouco conhecida. Também estarei com uma exposição pessoal mais retrospectiva, que acontece no Fond Helene and Edouard Leclerc, em Landerneau, com curadoria de Camille Morineau, e fui convidada pelo Château de Gruyères, na Suíça, para me apropriar do lugar e criar peças originais para o percurso do castelo.

Qual o seu maior sonho como artista?

– Que o trabalho perdure e seja visível.

EDIÇÃO DE TEXTO – Marilane Borges

IMAGEM – Cortesia da artista Françoise Pétrovitch com portrait clicado por Hervé Plumet © Etendu, 2020 © Forget Me Not, 2020 © Saint Sebastien (Sandro Botticelli), 2019 Lavis d’encre sur papier – 80 x 120 cm © A. Mole. Cortesia da galeria Semiose, Paris © Todos os direitos reservados

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