SAM Art Project

15 de março de 2022

“Meu sonho é poder fazer parte desse movimento criativo e o SAM Art Project tem como missão acompanhar os artistas, promover a visão que eles tem sobre o futuro da arte, em resumo, sobre o futuro do mundo,” afirma Sandra Hegedüs Mulliez, mecenas brasileira, que vive em Paris há mais 30 anos. Fundadora do SAM Art Project, que financia artistas contemporâneos, sua filosofia do mecenato é simples: colocar em evidência no cenário internacional os talentos que ainda não obtiveram uma exposição importante nos centros culturais de renome.

Criado em 2009, o SAM Art Project já acolheu vários artistas de diferentes nacionalidades, que se valeram desse passaporte para o mercado da arte internacional para alavancar suas carreiras. Os escolhidos recebem incentivo financeiro para desenvolver suas propostas e tem como benefício, no final dessa residência artística, o privilégio de participar de uma exposição no Palais de Tokyo, templo de referência da arte contemporânea em Paris.

Com uma bagagem cultural lapidada por anos de experiência no mundo das artes visuais, no cinema e na produção documentários, para Sandra o essencial é o artista e sua arte. “Os artistas são visionários e são capazes de prever com sua arte os acontecimentos à venir”, confessa.

O SAM Art Project tem uma concepção bem específica sobre o que é importante para os artistas em busca de novos horizontes para suas carreiras: proporcionar a liberdade, inclusive financeira, para que eles possam se dedicar integralmente ao seus projetos. Enquanto eles criam, Sandra e sua equipe se ocupa de todos os detalhes estratégicos que darão ao artista e sua obra essa tão almejada visibilidade internacional.

Os beneficiados com esse fomento são escolhidos por um comitê de oito experts em arte, que deliberam sobre os artistas selecionados ao redor do mundo. Os escolhidos para viver esse processo de efervescência criativa internacional ganham, além da experiência, uma exposição no Palais de Tokyo. Correspondance Magazine® conversou com Sandra Hegedüs Mulliez em sua casa e aproveitou para coletar algumas ideias dessa ex-cineasta que se tornou uma mecenas apaixonada pelos artistas e pela arte contemporânea.

Sobre o orgulho de colaborar com artistas que precisam de visibilidade:

“As residências que oferecemos aos artistas funcionam como uma vitrine internacional e, muitas vezes, como uma catapulta para que eles explorem outros médiums…”

Sobre fazer parte desse processo criativo e intelectual:

“Acho fundamental acompanhar o crescimento do artista e sua inserção no mercado das artes. Para mim, essa é uma missão pessoal…”

O que mais a influenciou para se tornar mecenas:

“O meu interesse em fazer parte dessa revolução artística. Existe algo no ar, que ainda não sei definir ao certo, que provocará grandes mudanças na forma como produzimos e consumimos arte. O que me implusiona é poder fazer parte desse movimento e celebrar os artistas que nutrem essa paixão pela expansão da criatividade, em todos os domínios…”

Sobre o SAM Art Project acolher artistas do mundo inteiro:

“Embora eu seja brasileira, meu coração abraça todos os continentes, da América Latina à Asia, da Europa à Africa, porque decidi aprofundar as relações com os artistas que precisam desse suporte estratégico de promoção e esses talentos estão espalhados pelo mundo…”

Definindo a filosofia do SAM Art Project:

“Ser uma incubadora de talentos potenciais, que o mundo ainda não descobriu, e nos quais acreditamos. Somos apenas os semeadores…”

Sobre o papel da arte na sociedade:

“Arte não é diversão, arte não é decoração. Arte tem que impactar, transformar e produzir questionamentos. O papel da arte é fazer com o que o expectador seja interpelado, a arte deve provocar conversas significativas sobre os assuntos complexos da humanidade e criar uma reação em cadeia na sociedade…”

Sua ideia favorita sobre a arte:

“Fazer o coração bater mais forte, criar uma emoção, gerar uma transformação e estimular uma consciência mais crítica sobre o mundo…”

Sobre as memórias artísticas:

“Estão ligadas às nossas experiências, ao que vimos, sentimos e vivenciamos. Nossas memórias nos pertencem e isso ninguém poderá nos tirar. Elas ficarão para sempre conosco…”

O legado de seu mecenato:

“Criar laços e fazer parte da história do artista…”

TEXTO – Marilane Borges 

IMAGEM – Cortesia SAM Art Project, Aïcha Snoussi, 2017, Anticodexxx, encre sur vieux cahiers d’ecoliers, 22 x 34 cm, Collection privée © Lionel Rochel © Renata Charveriat 2018 Aïcha Snoussi, Sépulture aux noyé.e.s, 2021, Installation, Production MO.CO. Montpellier Contemporain et Fondation Zinsou © Marc Domage Dalila Dalleas Bouzar, Star #4, 2021, huile sur toile, 50cm x 40cm, collection particulière © DR Dalila Dalléas Bouzar, My life is a miracle #2, 2021, huile sur toile, 215x71cm © Dalila Dalléas Bouzar © Todos os direitos reservados

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